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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

“É o Bem contra o Mal. E você de que lado está?”



A infância intelectual do ser humano concebeu o Maniqueísmo. “Maniqueísmo” deriva de Mani, um sacerdote babilônico que pregava a luta eterna entre o bem e o mal, uma herança do Zoroastrismo que além do Maniqueísmo, também teria influenciado o Cristianismo. Mas não estou aqui para falar de religião e sim do “maniqueísmo político”. Uma doença do gênio humano que em escala planetária já dividiu a Terra em zonas de influência (Guerra Fria )e que hoje na escala das relações pessoais, segrega os indivíduos de uma mesma comunidade pelo cargo político ou profissional que ocupam. Inclusive faz-se necessário salientar a distinção (sobretudo de mérito) entre ambos.
Existem dois tipos de maniqueístas políticos. O primeiro é o que chamarei de “maniqueísta morno”. Aquele que perdeu a situação, a mamata, a bocada. É um maniqueísta de ocasião. Em certa medida é volúvel, pode mudar de lado a qualquer hora. Não possuiu profundidade filosófica e nem uma formação política que fundamente seus discursos “políticos”. Sua atuação nos remete à imagem do “pombo enxadrista”. 
O segundo tipo é o “maniqueísta radical”. Geralmente se alimenta de conflitos e contendas eternas e a coerência dos seus discursos não pode ser mensurada.Busca seus aliados entre os incautos e sedentos de uma revolução romântica e utópica da realidade. Para estes, todos aqueles que, por ventura, não comunguem dos seus ideais, merecem ser exterminados. Na verdade, nem precisa discordar. Basta ter uma interpretação diferente e lá estará o instrumento mental inquisidor, julgando condenando e executando o dissidente. Isso nos leva até a pensar que o apelo humanitário que geralmente adorna seus discursos, na verdade não passa de falácia, uma vez que consideram inferior ou pior, todos aqueles que ousam se opor. 
O maniqueísta radical despreza e ignora a existência individual. Ele avalia o grupo. Seu discurso descolado destoa da sua prática preconceituosa. Sua visão embaçada avalia o todo de forma superficial e equivocada o que, com o passar do tempo, pode produzir uma enfermidade social gerada pelo desgaste emocional.
Se existe, no entanto, algo que estes dois tipos têm em comum é a capacidade de se associar ao “inimigo” de ontem para poder combater o “inimigo” de hoje. Com esta habilidade reproduzem o “os fins justificam os meios” que caracteriza o pior tipo de pragmatismo político: o das alianças espúrias.
Os dois tipos de maniqueístas também ignoram que os homens encerram em si um universo de concepções e verdades interiores e que honestidade e dignidade não podem ser associadas àqueles que simplesmente caminham na mesma direção que a nossa. 
Por fim, o aspecto mais doentio do Maniqueísmo é o fato de que não houve uma só guerra nesse mundão, no qual os dois lados não tenham se considerado o certo. O bem lutando contra o Mal.

sábado, 19 de julho de 2014

Eu e a "falta de Deus"
Recentemente uma conhecida que me é muito cara me ligou para saber de mim e aproveitou para dizer que a minha já curada enfermidade coronariana provavelmente era falta de Deus. No eterno segundo em que levei para encerrar    a conversa e me despedir cordialmente alegando outros afazeres no meu também eterno repouso , me veio pronta esta manifestação do meu ponto de vista acerca desta questão.
Provavelmente o deus que em sua limitada visão me faltava era o deus hebreu , que herdamos com o Cristianismo após o imperador romano Constantino tê-lo permitido como culto(313 d.C) e Teodósio   decretá-lo a religião oficial do Império Romano (391 d.C.). Mas será que se a minha amiga tivesse nascido e sido criada em um país muçulmano , seria o cristianismo a "VERDADE" que tentaria me impor? E se fosse indiana? Tibetana? E se tivesse sido criada sobre os preceitos do Candomblé?  E  se fosse seu lar, espírita?
Logo pensei na xenofobia que caracterizou os hebreus  na antiguidade e ainda se manifesta em muitas congregações que  examinam o Velho Testamento de forma alegórica.O que dizer?
Adianta o embate? Adianta dizer que me sinto intelectualmente emancipado e que esta concepção  de Deus  que cabe em uma edificação, em uma cultura não me seduz?
Que desprezo com toda força da minha alma  a ideia  comercial que se faz hoje de uma conversão religiosa. Onde os bens materiais, a saúde e até a felicidade são recompensas para  os que se convertem.
Compreendo, no entanto, esse fenômeno  humano chamado "fé". Compreendo por tê-la de uma forma livre e sublime, mas respeito e defendo todos aqueles que submetem a sua à esta ou àquela religião. Só não comungo com a intolerância, com essa ideia pessoal de Deus. Como se fosse um gênio da lâmpada que se pode evocar a qualquer momento para pedir, pedir, pedir e para servir de capataz contra o mal que geralmente nós mesmos provocamos.
Não vou entrar no mérito das conversões, dos caminhos do amor e da dor que fazem os mais céticos e endurecidos corações abraçar uma religião.  Possuo um profundo respeito pelas dores humanas, sei que as nossas estruturas psíquicas sofrem profundas alterações após traumas físicos e emocionais, mas é muito importante que possamos  exercitar a humildade e a razão para que  a fé não se torne um instrumento superficial e inconsistente que só serve à arrogância e à empáfia.E não devemos afastar a  teoria da prática, uma vez que  melhor forma de transmitir valores é o exemplo.

Por fim , considero sinceramente que para aqueles que seguem uma determinada  religião, controlar o proselitismo(este dedo indicador que aponta a heresia aqui e acolá) é um ato de tolerância, de compreensão e de caridade. E por falar em caridade, se tem algo no qual eu creio é que  "fora da caridade, não há salvação". Cada um na sua fé então, eleve seu pensamento .

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Democracia: uma ideia adoecida.

O último presidente da ditadura militar brasileira, o General João Batista de Oliveira Figueiredo, certa vez afirmou que "um povo que não sabe nem escovar os dentes não está preparado para votar".É claro que tal ideia servia aos interesses dos inimigos da liberdade e ao mesmo tempo servia ao interesses da preconceituosa elite brasileira apoiadora do regime. Essa ideia soava como um último aviso à liberdade política que se avizinhava:"o povo não está preparado para governar". E eles estavam certos:o povo não estava preparado para governar, até porque nunca governou no Brasil. 
A "redemocratização" do Brasil, cuja culminância foi a promulgação da Constituição de 1988(Constituição Cidadã), embora tenho universalizado o voto não significou a entrega das rédeas da nação à maioria. Isso porque a mesma elite que outrora apoiara a ditadura, manteve o controle sobre o processo eleitoral através da corrupção e da alienação das massas. E esta, composta por um oceano de cidadãos deseducados, cooperou com sua cumplicidade negligente.Essa mesma massa, que muitos sempre consideraram vitima do vampirismo da elite é , na verdade , o berçário de novos algozes. É a escola dos oprimidos que querem se tornar opressores. E nesse contexto, quando nos aproximamos da massa com nossas verdades políticas parece que estamos convencendo os vampiros para um banho de água benta.
 

Platão teria sido o primeiro a conceber a ideia de que o principal objetivo do Estado é promover o bem comum. Mas será este mesmo o objetivo individual daqueles que formam a comunidade? E quem decidi o que é o bem comum? Numa sociedade de classes, podemos sim concordar com a ideia de que os interesses das elites são contrários aos do povão, mas apenas os imediatos, já que na profundidade da questão, quer o povo se tornar elite. A nação brasileira, não conhece a conquista. A história da nossa cidadania é uma sucessão de concessões. Tudo nos é "dado" de acordo com os arranjos institucionais do momento, nos viciando em um estado político paternalista, numa situação de carência e dependência . Antes de se tornar detentor de direitos precisa o indivíduo se tornar uma ser digno de fazer parte da comunidade. Isso pode ser ensinado? Sim, pode. Assim como se ensina que a política só serve pra enriquecer, assim como se ensina que o trabalho digno é coisa de otário; assim como se ensina que os grandes heróis dessa nossa fajuta democracia, são aqueles que abusam da liberdade para defender sua independência pessoal. Que venha então Rousseau, com a sua concepção moderna de Estado constituído através do contrato social. Pois onde anda esse acordo tácito? Anda arquivado nas universidades, presentes numa ou outra aula e olhe lá. O "acordo" só pode ler "lido"pelos alfabetizados em cidadania, condição distante da massa que ignora que o sofrimento social é coletivo e segue embotada na busca pelas soluções paliativas e imediatas.Para se pensar a democracia hoje em dia deve levar em conta o divórcio da sua concepção filosófica e as aspirações da massa. Deve-se reconhecer o "Não" emitido por aqueles que seriam os maiores interessados nas sua implantação. Deve-se entender que não se pode distribuir liberdade entre aqueles que permanecem inertes pela ignorância. Só se combate a ignorância com o conhecimento, seja ele formal, informal, ético ou moral. Eis o maior desafio de quem hoje pensa a democracia: traduzi-la e transformá-la no antídoto para as mazelas sociais sem que nesse processo os doentes a pervertam e se transformem nos efeitos colaterais letais para o nosso já adoecido organismo social. 


Professor Rogério Carvalho

sábado, 31 de maio de 2014

Maquiavel,a ambição, a necessidade, a militância e o desejo


O florentino Nicolau Maquiavel, considerado pai da ciência política moderna, certa vez afirmou que "os homens quando não são forçados a lutar por necessidade, lutam por ambição".É lógico que devemos fazer as devidas relativizações sobre o conceito de "necessidade" e de "ambição" que o escritor concebeu mergulhado no mundo novo da renascença, no entanto, ainda que os objetos da necessidade e da ambição da sua época sejam diversos dos de hoje, podemos facilmente compreendê-las.

Seja por ambição ou por necessidade, muitos indivíduos agem de acordo uma frase que, embora não esteja presente nos escritos do pensador, representa a síntese do maquiavelismo: "os fins justificam os meios". Utilizando a ideia pura da justa "necessidade", evocando as mais nobres causas se utilizam da militância cega para defender suas pequenas paixões e ambições pessoais. E nesse afã de alcançar seus fins, se promiscuem nas alianças, flertam com os demônios que outrora os horrorizavam e confraternizam com os algozes que ainda ontem lhes humilhavam, oprimiam e lhes cortavam a carne. Ainda que, em alguns casos, lhes dessem migalhas de pão, já amassado. Mas nada disso assustaria Maquiavel que certa vez afirmou que "na política, os aliados atuais são os inimigos de amanhã” ou vice-versa.

Nesse "fundamentalismo" pessoal, perdem toda noção de ética que poderiam ter assimilado. E caem no simplismo de julgar o todo, adotando o maniqueísmo primitivo que identifica o "outro" como um mal a ser erradicado. Essa miopia militante nada tem de louvável e mesmo que provoque vitórias por endemia, não haverá qualquer honra na conquista se esta for alcançada com recursos de origem duvidosa. Inclusive, mais uma vez Maquiavel nos diz "... deve ter o cuidado de não fazer aliança com um que seja mais poderoso, senão quando a necessidade o compelir, se tornará prisioneiro do aliado".
Aquela mesma miopia não permite discernir que existem muitas variáveis numa "guerra", inclusive a deserção justificada, quando não se reconhece na luta um general digno ou legítimo.
Pelos caminhos da militância se encontram ainda aqueles que trazem dentro de si o produtivo desejo de transformação. Esses são movidos por ideologia e a sua militância é consistente e coerente.Carregam o sangue novo que clama por renovação.  Se distinguem dos "republicanos do 13 de maio"(para fazer uma alusão aos fazendeiros que aderiram à república após perderem seus escravos) pela profundidade dos seus desejos e pela pré-disposição ao sacrifício real pela causa. Possuem um discurso convincente e uma prática coerente. Mas são poucos e passam despercebidos eclipsados pelas bandeiras baratas da necessidade e da ambição.
De Nicolau, ao advento do séc. XXI, um turbilhão de ideias movimentou o pensamento humano, edificando esse hoje cômico, forjado por efêmeras verdades. Mesmo assim, muitas concepções desse renascentista ainda se fazem valer ilustrando o cotidiano na medida que ainda hoje "os homens quando não são forçados a lutar por necessidade, lutam por ambição". E de forma derradeira escreveu também Nicolau que o homem “esquece de forma mais fácil a morte do pai do que a perda do patrimônio”.
Rogério Carvalho

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Cada vez menos....













É realmente um exercício de tolerância viver numa sociedade onde cada vez MAIS:

-Ser idealista é ser um sonhador utópico
-Pensar na coletividade é ser otário(ou um espertinho oportunista)
-Defender seus direitos é ser problemático
-Ter opinião própria é ser desajustado
-Acreditar na mudança é ser ingênuo
-Se calar diante da opressão é ser sábio
-A cidadania morre a cada dia na contramão do avanço dos séculos
-O apelo à razão sucumbe diante da imposição dos fatos
-O pai ensina que ao se calar, se vive melhor e o filho cresce escravo da imobilidade
- Quando , se por breve momento , o oprimido sonha com transformação , deseja se tornar o opressor.

É realmente um exercício de tolerância viver numa sociedade que cada cada vez MENOS.
(PROFESSOR Rogério)

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O grito abafado na sala dos professores



O grito abafado da sala dos professores

        As chamadas Jornadas de junho, aquele ensaio de mobilização que levou os acordados para a rua , embora tenha arrefecido no que tange à mobilização, plasmou na nossa atmosfera um  quê de transformação, de esperança e de desejo de renovação. Mas e o Magistério? O professorado? De que forma tem se colocado nesse panorama de transformação?
         A estrutura organizacional sobre a qual se assenta a escola , com a sua hierarquia tradicional  ainda imprime sobre alguns colegas uma certa pressão. Eles vêm seus diretores e demais integrantes da equipe técnica e administrativa, não como colegas que ali estão para servir à comunidade escolar , mas sim como um chefe, detentor do poder de infernizar a sua vida caso não reze a cartilha. Por sua vez algumas direções, muitas sem autonomia encaram os integrantes das secretárias , não como colaboradores, mas como opressores que ali estão para julgar e condenar o tempo todo.
     Muitos colegas não saem da zona de conforto. Alguns concursados não fazem greve porque cresceram corrompidos pelo senso comum, acreditando que ela de nada adianta. Inclusive as tímidas conquistas dos professores do Estado do Rio de Janeiro nessa última greve, apesar da luta aguerrida de bravos colegas e de uma considerável adesão, reforçam a ideia de fraqueza da categoria. E os contratados? Oprimidos, podem se dispor a encarar a possibilidade de perder o meio de sobrevivência. E apesar da compreensão sobre esta questão, não podemos deixar de pensar como isso apraz a quem os contrata.
Como podemos compor uma categoria forte se a maioria dos  profissionais que a compõe  e que podem  lutar se  omitem?
          No cotidiano das nossas escolas sobram problemas, mas parece que a solução desses problemas é problemas dos outros. E essa distorção é o reflexo da maneira com qual exercemos a nossa cidadania. A escola reproduz o "Não tenho nada a ver com isso." que sabota a construção de uma sociedade mais justa.  Criou-se a cultura  de partilhar vitórias, mas não as lutas; de se apoderar das conquistas, mas não do processos que a ensejam.
         O poder de formar opiniões e de encantar  que cada professor traz consigo parece ter dado lugar ao desencanto. Não é para menos. A sensação de solidão que grassa cada escola  e o coração dos profissionais da educação faz diariamente o chão sumir sobre os nossos pés. Mas haverá sucesso numa Educação que transmite a desesperança?  
  Existem alguns colegas infelizes porque seus líderes políticos foram derrotados, outros porque incapazes de acreditar  na Educação e sem coragem para dar uma novo rumo às suas vidas , se deixam levar pelas repetidas ladainhas derrotistas e infrutíferas, propagando o "não tem jeito não". Mas existem muitos que embora militem e coloquem a cara na reta, entendem que agregar valor aos conteúdos da sua disciplina pode ajudar a minimizar os efeitos da desvalorização profissional que nos é imposta. Na verdade utilizam os conteúdos para promover a cidadania encontrando um oásis de satisfação nesse deserto de possibilidades que tem sido para tantos a Educação. Mas a sensação de solidão destes  é ainda maior. Porque de uma certa forma acredita-se que se pode ser feliz nessa profissão quantificando e relacionando totalmente a prática às condições de trabalho. Isso me faz pensar num outro tipo de personalidade presente no magistério: os eternos insatisfeitos. Aqueles para quem a vida perderia o sentido se o magistério alcançasse a excelência em todos os sentidos.
      A grande ironia disso tudo é que o professor é o agente mais poderoso dentro do sistema.E a sua despolitização é mãe desta ironia. Professores unidos, cientes do seu poder tudo podem.                  A nossa presença na escola  pode ser carregada de simbolismo positivo e de valor revolucionário. Temos os conteúdos, temos a massa, enfim,  temos poder. Somos as respostas para os questionamentos que todos os dias insistem em tentar nos paralisar. Tudo podemos , mas para isso precisamos romper o silêncio institucional e nos tornarmos agentes de transformação. Caso contrário, a nossa saúde e nosso discurso se esvairá pouco a pouco nos gritos cotidianos abafados  na sala dos professores.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Filme "Vida de Inseto" e o Pensamento da Elite

Aula de História 22/10: 6ª fase EJA
Conteúdo: Grécia: Democracia e Oligarquia (Introdução)
Recurso: Projeção do Vídeo abaixo(Trecho do Filme Via de Inseto com a 
participação especial do Arnaldo Jabor e do Fernando Mitre).
Objetivo Geral: Semear um "grão de mostarda".


domingo, 20 de outubro de 2013

Eles não sabem o que estão fazendo....



Em seu livro "Carnavais, Malandros e Heróis" (1979), o antropólogo  Roberto da Matta faz uma análise sobre os alguns elementos e aspectos da cultura brasileira. Dentre esses encontra-se o "Você sabe com quem está falando?",uma aberração facilmente detectável na política local.
A violência implícita no "sabe com quem você está falando?" revela a tendência clientelista tradicional  da prática política brasileira e ao mesmo tempo uma grande ignorância por parte da população dos objetivos dessa mesma prática Aqui na cidade de Cabo Frio podemos vislumbrar isso de uma forma muito rica, embora seja a pobreza (de espírito e material) que a alimente.  Inebriados pelo poder político temporal, poder este erigido sobre as mais variadas formas de carências e necessidades, os "dignitários" ou aqueles que com eles flertam , se distanciam das atribuições  dos seus cargos e tais quais os guardiões dos portões do inferno (com todo respeito à mitologia) empregam o seu farto tempo na defesa do poder pelo poder.
Pior do que  enxergar tais aberrações é constatar o esforço indisfarçável de intelectuais em perpetuá-las. Esse quadro em particular nos remete aos chamados "súditos letrados", figuras historicamente localizadas entre os renascentistas e que se popularizaram também no Brasil Imperial. Eram escritores, cientistas ou artistas que para terem seus projetos pessoais executados se colocavam a serviço dos soberanos. Hoje, no alto do séc. XIX, onde as luzes do esclarecimento já se consolidaram, encontrar intelectuais que se colocam à disposição do "poder pelo poder" é lamentável. No entanto, facilmente justificável, não pelo desejo de defender qualquer bandeira ideológica, mas pela satisfação das suas necessidades pessoais. E voltando à Renascença, os fins justificariam os meios...

Na dinâmica política eleitoral não raro um homem com carisma associado à pessoas dispostas a financiar sua campanha chega ao poder. Para os financiadores pouco importa que ele possua ou não  qualquer bagagem intelectual, ética ou moral. Muitos até afirmam que o homem é mau de qualquer maneira e isso apenas se potencializa quanto este alcança qualquer tipo de poder.Para os financiadores o que interessa é a manutenção das coisas com elas estão e por isso fabricam legisladores inócuos que ali estão apenas  como lacaios dos seus interesses econômicos. E o preço do voto que custa apenas alguns reais para os financiadores é a ascensão de indivíduos que geralmente possuem algumas das  seguintes características: complexo de inferioridade, necessidade irracional de acumular riquezas, truculência, intolerância e nenhuma formação política. Imagine todas essas características envernizadas pelo direito de exercer poder. Sabe o que se tem? O portador do "Sabe com quem está falando?". Uma aberração política. Geralmente um caso perdido que quando  por infortúnio nos cruza o caminho fazendo ecoar o seu"sabe com quem está falando?" velado , nos resta apenas entoar baixinho, quase que como uma oração:" Ele não sabe o que está fazendo."

domingo, 31 de março de 2013

Onde está o PSOL? Onde está VOCÊ?!!!



Nas últimas eleições a população de Cabo Frio teve a oportunidade de romper com a velha maneira viciada de fazer política na cidade. No entanto, disse “NÃO” à única oposição de verdade na cidade e colaborou para perpetuação do coronelismo que sempre impediu a implementação de políticas públicas que pudessem verdadeiramente melhorar as condições de vida da maioria.
A maior prova de que os dois grupos ao qual o PSOL se opõe em nada diferem é a manjada migração daqueles que vivem de favores políticos de um grupo para outro.
Diante dos desmandos, da sucessão de erros e da arrogante postura de alguns integrantes dessa nova oligarquia, vez ou outra sou surpreendido com o seguinte questionamento: “Onde está o PSOL diante disso tudo que está acontecendo?”
Eu bem sei que nunca se deve responder a uma pergunta com outra(s), mas nesse caso, abro uma exceção e devolvo:Onde estava você que não veio militar ao lado do Partido nas últimas eleições? Onde estava você que não adesivou o carro para não se queimar com o possível grupo político vencedor? Onde estava você que fez voto útil? Onde estava você que transformou o seu voto em moeda de troca?
O PSOL Cabo Frio não é o Ministério Público, inclusive carecemos de advogados. Você conhece algum que gostaria de doar seus conhecimentos advocatícios para um partido que quer combater a corrupção e o desvio do erário local? Não, não é mesmo? 
O PSOL não partirá para a oposição burra e cheia de recalques, como a que tem sido praticada por aqueles que chafurdam na lama da derrota depois de tanto investimento, distribuição de contratos, compra de votos, etc. 
Assim sendo, continuo a questionar: 
Onde está você agora cidadão consciente, honesto e questionador que não se filia à única opção ética do cenário político nacional? Tens até abril para tanto.
A razão de ser do PSOL é a essência ideológica dos seus filiados. Somos poucos, queremos crescer, mas com coerência e sem promiscuidade. Queremos que você legitime esse seu interesse na coisa pública militando sob o signo do Socialismo com liberdade. Mas de antemão aviso que, embora se deite tranquilamente no travesseiro em paz com a opção de defesa dos interesses da maioria via um posicionamento ético e combativo, existem alguns desconfortos nessa militância. Aqueles conhecidos que você sabe que vive de boquinhas, passarão a te hostilizar. Alguns burgueses ignorantes acharão que você quer iniciar uma revolução comunista na próxima segunda extinguindo a propriedade privada dos meios de produção e por isso te atacarão mesmo que você nem lhes dirija a palavra (Isso até que é divertido) e você descobrirá que muita gente cheia de discurso interessante, tem discurso interessante e prática reacionária. 
Por fim, cidadão questionador, gostaria de lhe informar que o PSOL- Cabo Frio está onde você o deixou. Esperando por você. Aguardando você deixar de lado a pequenez cultural que pariu a “Lei do Gerson” e se levantar contra o estado de coisas que tanto lhe incomoda.
Seja a mudança que você que você deseja no mundo.( Mahatma Gandhi) 

Professor Rogério, presidente do PSOL- Cabo Frio

quinta-feira, 21 de março de 2013

Escola: Além da imaginação




Durante muito tempo procurei encontrar um jeito de ensinar  História de forma divertida. Testei, experimentei, fracassei, tentei novamente compus músicas didáticas e criei estratagemas diversos. Ainda hoje levo o violão para sala de aula e sempre invento uma novidade. Dá certo, a neurociência estuda a relação entre o brincar e o aprender, entre o prazer e o cognitivo. Mas existem momentos nos quais nada disso dá resultado. É quando o método encontra a resistência de uma situação na qual não se adéqua, quando a criatividade se depara com o vazio de uma  realidade que impede a sua interpretação, onde o esforço criativo não ecoa.
Nós professores somos portadores atualmente de uma grande responsabilidade: a missão de formarmos cidadãos críticos e ao mesmo tempo preparados para o mercado de trabalho. E temos que fazer isso sendo criativos e interessantes. Sempre inovadores para acompanharmos a evolução tecnológica da atualidade. Somos os féis depositários do destino da nação. E de preferência se pudermos deixar de lado as nossas convicções ideológicas, melhor ainda. “Não doutrine!” “Apenas ensine!”
Mas o que fazermos quando nos damos conta de que a nossa prática, aquela que julgamos impecável e digna de reconhecimento, se depara com a falta de apetite e de perspectiva de vida. Quando nos deparamos com alunos que dizem diretamente ou através do seu estilo de vida, que futuro não lhes interessa? Pois nem sabe se o futuro lhes conhecerá.
Se a escola é uma instituição que prepara para o futuro como sensibilizar quem vive para o presente? Falando sobre o passado? Utilizando a velha forma do passado?
Qualquer metodologia depende de um mínimo de predisposição do educando para que o aprendizado se dê. São pré-requisitos básicos externos e internos que envolvem o dentro e o fora, do aluno e da escola.
Para ser objetivo eu poderia dizer que o fracasso da educação pública é consequência da desestruturação familiar. Mas com certeza, aqueles que leram este devaneio até aqui diriam que eu estou “passando a bola”.  Então vamos mencionar também a miopia das políticas públicas educacionais que hoje orbitam as preocupações quantitativas, para atender as necessidades imperiosas da captação de verba pelos índices de aprovação e reprovação do aluno.
 Respaldado apenas pela experiência de aula e sem a menor qualificação acadêmica que decoram os currículos dos estudiosos da educação, arrisco dizer que a falência da Educação Pública se dá por uma questão de interpretação da atribuição da escola. Os professores e demais profissionais da educação estão sempre entre duas tendências: a de executar as tarefas inerentes às suas funções e a de preencher o vazio deixado pela minimização da participação das famílias na educação moral do indivíduo. Sabemos que podemos unir as duas opções, mas sabemos também que nem uma nem a outra serão ofertada de forma eficaz.
A escola precisa ser repensada. A aula precisa ser repensada. De nada adiantará a construção de uma escola tecnologicamente avançada se a sua essência continua acorrentada a pressupostos obsoletos. Para muito além de uma adequação às necessidades imperiosas do mundo globalizado, precisamos de uma escola que ressignifique o seu papel em um mundo cujo desenvolvimento humano tem sido superado pelo tecnológico.Precisamos mais de conhecimento e sabedoria do que de informação.
 Como elemento de linha de frente nesse campo de batalha recheado de crises institucionais, a instituição escolar precisa de recursos para que possa reinventar o seu papel, funcionando como catalisador da nociva química social que corrompe e subverte o principal objetivo do ato de ensinar: a evolução das potencialidades humanas.
Por fim precisamos de uma escola que promova o ser humano, assim como promove políticas de governo perante as famílias. Nem que para isso seja necessário ensinar o governo a ser governo e a família a ser família. 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Você!










O mundo é desigual. E isso não é novidade há pelo menos cerca de 10 mil anos, quando surgiram as primeiras sociedades complexas. Sociedades complexas seriam aquelas onde existem desigualdades sociais profundas, como a nossa. Antes, todos os grupos humanos do planeta, viviam tal qual os nossos índios na fase anterior à contaminação do dito mundo civilizado.  A única forma de divisão de trabalho era a sexual, na qual homens e mulheres possuíam atribuições distintas.
Com o surgimento da propriedade privada dos meios de produção e o desenvolvimento das forças produtivas, a humanidade se especializou na prática da exploração do homem pelo homem, utilizando a criatividade que lhe é peculiar para desenvolver métodos e justificativas incontáveis. No séc. XIX, quando o socialismo científico ou marxismo surgiu como forma de resistência à exploração capitalista, identificando burgueses e proletários na chamada luta de classes, ninguém imaginou que décadas mais tarde as ideias de Marx, pudessem inspirar um movimento revolucionário que culminou com a implantação do socialismo e  à reboque, a criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
A partir daí, grande parte dos fatos que ilustraram o século XX podem ser considerados desdobramentos do duelo entre capitalistas a socialistas conhecido como Guerra Fria e pai do desenvolvimento tecnológico que a segunda metade do século XX viu se aprofundar. Até que por fim, os capitalistas, donos da mídia, lançaram o factóide mundial da morte do comunismo e triunfo do capitalismo justificado pelo advento do neoliberalismo.
Essa viagem medíocre e superficial que me veio à cabeça nesse amanhecer que para mim começou antes mesmo do nascer do Sol desse dia 23 de janeiro, não tem outra pretensão a não ser convidar você que está  se dando ao trabalho de ler estas palavras à uma reflexão: Seria possível minimizarmos hoje o grau de degeneração social na qual nos encontramos?
O surgimento da civilização está totalmente ligado ao aparecimento do Estado que na sua definição simples seria um conjunto administrativo formado por governo, povo, exército, funcionários, território, leis e impostos. Ao longo do tempo muitos pensadores se dedicaram ao estudo do Estado de Aristóteles à Rousseau, analisando sobre tudo a ligação da interdependência entre o governo e o cidadão. Aqui queremos apenas levantar a seguinte questão: até que ponto a degeneração do Estado é causa ou conseqüência da degeneração do indivíduo enquanto cidadão?
A maior dificuldade de se transformar a sociedade em um espaço justo e igualitário passa pela crença de que qualquer tipo de mobilização atualmente seria infrutífera. Esse pensamento difundido pela mídia cúmplice da apropriação do Estado pelos interesses privados é transmitido de forma tão sutil e eficaz, que toda vez que um grupo de pessoas se reúne em torno de um ideal de transformação dessa realidade, o mesmo é visto como dissidente, destoante ou desajustado. Na sua individualidade, eu tenho certeza que você gostaria de  que a nossa cidade , o nosso estado  e o nosso país se tornassem lugares mais prósperos e que essa prosperidade fosse compartilhada pela maioria, mas a sua capacidade de mobilização e de aglutinação esbarra na falta de fé no próximo. Dessa forma, a responsabilidade da mudança é transferida para o outro. “Não dará certo por que o povo é corrupto. ”Não dará certo porque os políticos são todos iguais.” “ O Brasil não tem jeito” e por aí vai.
Afirmo com certeza também, que quando você é questionado acerca da sua honestidade, a reação é de indignação. Você é honesto, mas os outros não prestam. Então porque você não coloca as suas virtudes a serviço da coletividade?
Marx estudou a História e descobriu que as desigualdades são fruto do surgimento da propriedade privada dos meios de produção, quando no passado alguns  grupos se apropriaram sobretudo das terras produtivas. Antes disso, o fruto do trabalho coletivo era compartilhado igualmente entre os membros das comunidades. Era o comunismo primitivo, que hoje seria incompatível com a civilização. Mas, no entanto, o mundo civilizado pressupõe um individualismo sem igual que vai de encontro à própria idéia de humanidade ideal. Evoluímos tecnologicamente, mas perdemos em alguma esquina do passado a  ideia de grupo, de bando e estamos seguindo, independente dos” ismos” para um colapso humano irracional e o que é pior, consentido e protagonizado por você, que insiste em deixar de seguir o ideal de igualdade que trazemos como herança desde que tomamos consciência de nós mesmos enquanto espécie há milhões de anos, para se conformar com a tão recente ideia de que existem humanos  que merecem subverter, dominar e explorar humanos. A única solução possível para a construção de uma sociedade melhor é também a razão da existência da mesma: você.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Prefeitura de Petrópolis cancela o desfile de Carnaval e investe na saúde!

MESMO RECONHECENDO A IMPORTÂNCIA CULTURAL DO CARNAVAL ,A INICIATIVA DA PREFEITURA DE PETRÓPOLIS DE CANCELAR O DESFILE DAS ESCOLAS PARA INVESTIR A QUANTIA DE I MILHÃO DE REAIS DA SUBVENÇÃO NA SAÚDE DO MUNICÍPIO, MERECE VIRAR SAMBA ENREDO!!CONTOU COM O APOIO DAS ESCOLAS E DOS BLOCOS! PARABÉNS PETRÓPOLIS!!


http://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/noticias/prefeito-de-petropolis-cancela-carnaval-para-investir-em-saude-20130115.html

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Festa da posse do prefeito Gelsimar e do vereador Fernando (PSOL)- Itaocara


Realmente belíssima a experiência da posse do prefeito Gelsimar (PSOL) em Itaocara. A população nas ruas comemorando em uma só voz . A esperança de um governo voltado para o povo, com transparência, justiça social e democracia real.Parabéns Itaocara! O exemplo da sua população, que disse NÃO à velha e viciada maneira de política, é um estímulo para que possamos continuar lutando pelos nossos ideais!

O Diretório Municipal do PSOL Cabo Frio compareceu na figura do Cláudio Leitão , candidato à majoritária pelo PSOL nas últimas eleições na cidade de Cabo Frio, o presidente do Diretório Municipal Professor Rogério Carvalho, o secretário Professor Luiz Felipe Oliveira, o tesoureiro, Professor Doc e o secretário de formação política, Professor Charles. Além disso, estiveram presentes membros do diretório como Marcos Leite, Érika Borges, Heidi Zimmer, Ana Cláudia e Tharine Borges .


                                         







                                    (Imagens do professor Doc)http://professordoc.blogspot.com.br/



O PREFEITO ELEITO DE ITAOCARA, GELSIMAR GONZAGA(PSOL) INICIOU O JEITO PSOL DE GOVERNAR REDUZINDO O SALÁRIO DE PREFEITO DE 15.000 PARA 6.000 REAIS , O QUE FOI ANUNCIADO EM PRAÇA PÚBLICA APÓS A POSSE. A FESTA ACONTECEU EM UM PALANQUE NA PRAÇA JUNTAMENTE COM A POPULAÇÃO ONDE O PREFEITO TAMBÉM ANUNCIOU A AUDITORIA NAS CONTAS PÚBLICAS , JUSTIÇA E DEMOCRACIA REAL. E NA SUA CIDADE? COMO ANDA O SALÁRIO DO PREFEITO? AUDITORIA? JUSTIÇA? DEMOCRACIA REAL?CONTRA OS FATOS NÃO HÁ ARGUMENTOS.

                                                    Professor Rogério Presidente do Diretório Municipal do PSOL Cabo Frio











quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

No trabalho, na fila do banco, na igreja, no lar, no bar ou na praia.


Durante dias de profundas reflexões, em uma experiência de total contato com sentimentos  tão antagônicos como a coragem, a fé,  os temores e a razão,  transitei pelas verdades dos profetas , pelas sendas do sacrifício cristão, pelos “caminhos do meio” do Buda, pelos ciclos personificados em Brahma,Vishnu e Shiva. Abracei também a Filosofia, da qual preciso para compreender e explicar.
 Quando baixei novamente os meus olhos no plano das realizações horizontais, percebi que o mundo das ideias e contemplações, embora seja um lugar seguro e por vezes necessário, cheio de mistérios encantadores e desafios intelectuais, é também um lugar  repleto de divindades, mas vazio da própria humanidade  que o criou.
Quando por lá estive, sabia que lá permanecia por um pequeno interregno. Um intervalo preciso, apesar da imprecisão das ideias e emoções. Lá confirmei que o sentido da vida é a própria vida, com as suas lutas inglórias, mas repletas de escolhas e de consequencias. Cada um escolhe para a própria vida uma luta qualquer. Para aqueles que não elegeram uma batalha, a vida não faz sentido. É apenas uma sucessão de dias e noites onde se procura substituir construções verdadeiras por prazeres imediatos e efêmeros. Mas sabemos que isso é uma questão cultural...
Agora aqui, escrevendo, pensei em alguns amigos que me cobram leveza. Talvez seja para esses que escrevo. Para os que sabem que, embora eu os sempre faça sorrir vendo graça em tudo, trago o peito carregado de preocupações e responsabilidades.   Gostaria de pedir-lhes que desconsiderem as questões ideológicas. Esqueçam as divergências entre os nossos “ismos” e apenas reflitam: Podereis dizer que o mundo que nos cerca é um grande parque de diversões?  Por mais que tenhamos o necessário para os nossos, nada tendes a dizer diante da carência de muitos? As contradições não vos incomodam?Não gostaríeis de viver em um mundo mais justo?
Um dos meus filhos dorme agora no sofá na minha frente. Além da minha presença em sua vida, quero que ele se orgulhe também de ter tido um pai que pautou a sua vida na tentativa de fazer uma revolução. Uma revolução pequena, simples, atrelada à profissão, coisa de “peão”, de iludido. Quero que diga que seu pai não pode lhe dar tudo, que tinha todos os defeitos do mundo, mas sabia muito bem reconhecê-los e se perdoar.  Que seu pai perdera o medo de assumir seus sonhos, porque a expectativa do outro encarcera o liberdade humana.
Por falar em liberdade, me permitam mais alguns questionamentos: do que vale poder se expressar e nada ter a dizer? Há liberdade na miséria? Há liberdade na cidade sitiada?  Na violência gerada pela ausência do Estado? Não! Não defendo uma ditadura, defendo a democracia verdadeira, na sua concepção mais profunda, como alternativa para um povo que já se acostumou a viver mal e cuja desesperança é alimentada por aqueles  que enriquecem sobre miséria alheia, que custeiam o luxo dos filhos com dinheiro público e que contam com a passividade idiota dos alienados.
Por fim, gostaria de ressaltar a importância que cada um de nós tem na construção da coletividade. Para muito além da caridade material, transformando dor em ação, inércia contemplativa em mobilização, História em experiência e fracasso em aprendizado. No trabalho, na fila do banco, na igreja, no lar, no bar ou na praia. 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Memória da Família e a Família na Memória




            Ao iniciar um ano letivo, sempre procuro saber sobre o local de origem dos meus alunos e dos seus pais. Através dessa prática, procuro compreender a formação da comunidade que circunda a escola para melhor direcionar o trabalho em sala de aula. Nesses anos de magistério descobri que muitos alunos não têm noção das suas origens, sendo que o pouco que sabem não vai além do local de nascimento do pai ou da mãe. Os nomes dos avós ou local de origem destes, quase sempre desconhecem.  
            Essa descontinuidade na história pessoal do indivíduo pode influenciar negativamente na afirmação de alguns sentimentos, como o desejo de pertencimento que origina o nacionalismo e de auto-estima, importante elemento na busca pela cidadania. Não precisamos de muito esforço para perceber que as nossas relações sociais sofreram profundas alterações nos últimos 50 anos.  Considerando as necessidades imperiosas do imediatismo desvalorizamos o passado. E o vazio criado tem sido preenchido com informações massificadas.         
               O sociólogo francês Maurice Halbwachs afirmava que a memória é um fenômeno cultural, ou seja, que a nossa memória individual é um ponto de vista da memória coletiva. Se tudo que é cultural o é por ser transmitido ao longo das gerações, a “falta de memória” que hoje presenciamos na nossa sociedade é também um fenômeno cultural. Afirmava ainda, que o que consideramos relevante lembrar é também uma construção social, subjugando a memória individual à memória coletiva.
          Sendo a memória um fenômeno cultural, a família possui uma grande influência na sua valorização, mas a dificuldade de sobrevivência associada a fatores socioculturais alteram as relações familiares e a sua prática se torna muito difícil. Para piorar a situação, a influência dos avanços tecnológicos no nosso cotidiano tem contribuído para individualizar o ambiente familiar. Hoje muitas famílias passam um fim de semana “juntos”, porém absolutamente separados. Podem dividir o mesmo ambiente, mas não o mesmo assunto ou interesse. Muitas vezes uma falta de energia, de sinal da TV, ou o mau funcionamento da internet, se tornam grandes aliados na recuperação do convívio familiar, condição imprescindível para a conservação da memória da família.
         Pensa a experiência cotidiana e externá-la, promove o autoconhecimento e a compreensão da história individual. Pais que educam através das suas experiências, das suas histórias, sejam elas vitórias ou frustrações, contribuem bastante para o crescimento emocional dos seus filhos, além de iniciar o processo de compreensão do saber histórico ao se colocarem como protagonistas da História. O ideal seria que cada ser humano escrevesse as suas memórias ou que pelo menos se preocupasse em transmiti-las. Não há história que não mereça ser contada. O processo de massificação da informação e de deslocamento das prioridades afetivas que têm caracterizado as sociedades de consumo, diminui cada vez a outrora  básica necessidade de preservação da memória pessoal. Preservar a memória é prepará-la para enfrentar o desgaste do tempo sobre a tradição.  
       Outro sintoma desse distanciamento da memória é a maneira como as gerações recentes têm tratado os idosos. Na sociedade da informação, ser velho é ser ultrapassado. Vez ou outra, quando uma escola deseja resgatar a memória recente de um bairro ou cidade, o idoso é entrevistado, sua memória é registrada e depois transformada pelos alunos em redação ou desenho e acaba aí. Um dia, o filósofo iluminista e músico francês, Jean Jacques Rousseau disse: “Na juventude deve-se acumular o saber. Na velhice fazer uso dele.” Hoje, poucos são os idosos que possuem a oportunidade de exercitar o seu saber, geralmente por falta de ouvintes. No frenesi da evolução tecnológica, o apreço pela memória tem esmorecido e a informação tem sido confundida com conhecimento.
         Considerando o quadro de constante “emergência” em que vivemos, pode parecer utópico e despropositado nos preocuparmos com a preservação da memória familiar. Somos compelidos a adotar os valores da maioria, principalmente se a família, enquanto núcleo primário da construção da identidade, não desempenhar o seu papel ideológico. O posicionamento de cada um diante de tal realidade, dependerá justamente das suas experiências de vida, experiências essas que nos tornam únicos e especiais. E como dizem por aí: “Tudo que é especial merece ser lembrado!”

                                                                                                                                 Rogério Carvalho
Professor de História - Especialista em História do Brasil
Artigo publicado no Jornal Público Alvo- abril de 2011.