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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O grito abafado na sala dos professores



O grito abafado da sala dos professores

        As chamadas Jornadas de junho, aquele ensaio de mobilização que levou os acordados para a rua , embora tenha arrefecido no que tange à mobilização, plasmou na nossa atmosfera um  quê de transformação, de esperança e de desejo de renovação. Mas e o Magistério? O professorado? De que forma tem se colocado nesse panorama de transformação?
         A estrutura organizacional sobre a qual se assenta a escola , com a sua hierarquia tradicional  ainda imprime sobre alguns colegas uma certa pressão. Eles vêm seus diretores e demais integrantes da equipe técnica e administrativa, não como colegas que ali estão para servir à comunidade escolar , mas sim como um chefe, detentor do poder de infernizar a sua vida caso não reze a cartilha. Por sua vez algumas direções, muitas sem autonomia encaram os integrantes das secretárias , não como colaboradores, mas como opressores que ali estão para julgar e condenar o tempo todo.
     Muitos colegas não saem da zona de conforto. Alguns concursados não fazem greve porque cresceram corrompidos pelo senso comum, acreditando que ela de nada adianta. Inclusive as tímidas conquistas dos professores do Estado do Rio de Janeiro nessa última greve, apesar da luta aguerrida de bravos colegas e de uma considerável adesão, reforçam a ideia de fraqueza da categoria. E os contratados? Oprimidos, podem se dispor a encarar a possibilidade de perder o meio de sobrevivência. E apesar da compreensão sobre esta questão, não podemos deixar de pensar como isso apraz a quem os contrata.
Como podemos compor uma categoria forte se a maioria dos  profissionais que a compõe  e que podem  lutar se  omitem?
          No cotidiano das nossas escolas sobram problemas, mas parece que a solução desses problemas é problemas dos outros. E essa distorção é o reflexo da maneira com qual exercemos a nossa cidadania. A escola reproduz o "Não tenho nada a ver com isso." que sabota a construção de uma sociedade mais justa.  Criou-se a cultura  de partilhar vitórias, mas não as lutas; de se apoderar das conquistas, mas não do processos que a ensejam.
         O poder de formar opiniões e de encantar  que cada professor traz consigo parece ter dado lugar ao desencanto. Não é para menos. A sensação de solidão que grassa cada escola  e o coração dos profissionais da educação faz diariamente o chão sumir sobre os nossos pés. Mas haverá sucesso numa Educação que transmite a desesperança?  
  Existem alguns colegas infelizes porque seus líderes políticos foram derrotados, outros porque incapazes de acreditar  na Educação e sem coragem para dar uma novo rumo às suas vidas , se deixam levar pelas repetidas ladainhas derrotistas e infrutíferas, propagando o "não tem jeito não". Mas existem muitos que embora militem e coloquem a cara na reta, entendem que agregar valor aos conteúdos da sua disciplina pode ajudar a minimizar os efeitos da desvalorização profissional que nos é imposta. Na verdade utilizam os conteúdos para promover a cidadania encontrando um oásis de satisfação nesse deserto de possibilidades que tem sido para tantos a Educação. Mas a sensação de solidão destes  é ainda maior. Porque de uma certa forma acredita-se que se pode ser feliz nessa profissão quantificando e relacionando totalmente a prática às condições de trabalho. Isso me faz pensar num outro tipo de personalidade presente no magistério: os eternos insatisfeitos. Aqueles para quem a vida perderia o sentido se o magistério alcançasse a excelência em todos os sentidos.
      A grande ironia disso tudo é que o professor é o agente mais poderoso dentro do sistema.E a sua despolitização é mãe desta ironia. Professores unidos, cientes do seu poder tudo podem.                  A nossa presença na escola  pode ser carregada de simbolismo positivo e de valor revolucionário. Temos os conteúdos, temos a massa, enfim,  temos poder. Somos as respostas para os questionamentos que todos os dias insistem em tentar nos paralisar. Tudo podemos , mas para isso precisamos romper o silêncio institucional e nos tornarmos agentes de transformação. Caso contrário, a nossa saúde e nosso discurso se esvairá pouco a pouco nos gritos cotidianos abafados  na sala dos professores.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Filme "Vida de Inseto" e o Pensamento da Elite

Aula de História 22/10: 6ª fase EJA
Conteúdo: Grécia: Democracia e Oligarquia (Introdução)
Recurso: Projeção do Vídeo abaixo(Trecho do Filme Via de Inseto com a 
participação especial do Arnaldo Jabor e do Fernando Mitre).
Objetivo Geral: Semear um "grão de mostarda".


domingo, 20 de outubro de 2013

Eles não sabem o que estão fazendo....



Em seu livro "Carnavais, Malandros e Heróis" (1979), o antropólogo  Roberto da Matta faz uma análise sobre os alguns elementos e aspectos da cultura brasileira. Dentre esses encontra-se o "Você sabe com quem está falando?",uma aberração facilmente detectável na política local.
A violência implícita no "sabe com quem você está falando?" revela a tendência clientelista tradicional  da prática política brasileira e ao mesmo tempo uma grande ignorância por parte da população dos objetivos dessa mesma prática Aqui na cidade de Cabo Frio podemos vislumbrar isso de uma forma muito rica, embora seja a pobreza (de espírito e material) que a alimente.  Inebriados pelo poder político temporal, poder este erigido sobre as mais variadas formas de carências e necessidades, os "dignitários" ou aqueles que com eles flertam , se distanciam das atribuições  dos seus cargos e tais quais os guardiões dos portões do inferno (com todo respeito à mitologia) empregam o seu farto tempo na defesa do poder pelo poder.
Pior do que  enxergar tais aberrações é constatar o esforço indisfarçável de intelectuais em perpetuá-las. Esse quadro em particular nos remete aos chamados "súditos letrados", figuras historicamente localizadas entre os renascentistas e que se popularizaram também no Brasil Imperial. Eram escritores, cientistas ou artistas que para terem seus projetos pessoais executados se colocavam a serviço dos soberanos. Hoje, no alto do séc. XIX, onde as luzes do esclarecimento já se consolidaram, encontrar intelectuais que se colocam à disposição do "poder pelo poder" é lamentável. No entanto, facilmente justificável, não pelo desejo de defender qualquer bandeira ideológica, mas pela satisfação das suas necessidades pessoais. E voltando à Renascença, os fins justificariam os meios...

Na dinâmica política eleitoral não raro um homem com carisma associado à pessoas dispostas a financiar sua campanha chega ao poder. Para os financiadores pouco importa que ele possua ou não  qualquer bagagem intelectual, ética ou moral. Muitos até afirmam que o homem é mau de qualquer maneira e isso apenas se potencializa quanto este alcança qualquer tipo de poder.Para os financiadores o que interessa é a manutenção das coisas com elas estão e por isso fabricam legisladores inócuos que ali estão apenas  como lacaios dos seus interesses econômicos. E o preço do voto que custa apenas alguns reais para os financiadores é a ascensão de indivíduos que geralmente possuem algumas das  seguintes características: complexo de inferioridade, necessidade irracional de acumular riquezas, truculência, intolerância e nenhuma formação política. Imagine todas essas características envernizadas pelo direito de exercer poder. Sabe o que se tem? O portador do "Sabe com quem está falando?". Uma aberração política. Geralmente um caso perdido que quando  por infortúnio nos cruza o caminho fazendo ecoar o seu"sabe com quem está falando?" velado , nos resta apenas entoar baixinho, quase que como uma oração:" Ele não sabe o que está fazendo."