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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Uma candidatura em poucas palavras


Essa mania de pensar sobre tudo, eu sei, me torna uma pessoa enfadonha , no entanto , não consegui resistir à tentação de compartilhar a experiência que vivi como candidato a vereador  pelo PSOL em Cabo Frio.
Desde que fui recebido pelo partido, passei a admirar disposição dos companheiros diante do quadro político local. O assédio dos candidatos poderosos, que tinham certeza que a liderança do PSOL se curvaria diante das promessas de boquinha assustaram. Mas dizem que na política isso é normal. Normal nada! É normose! É doença da normalidade. Por outro lado, o firme posicionamento do Cláudio, conquistou a minha confiança. E o caráter das propostas do partido, profundamente identificado com as minhas, a minha militância.



Na fase de pré-candidatura, quando falava da minha pretensão de ser candidato, muitos reagiram dizendo que eu não tinha dinheiro. Que eu não teria a menor chance e que eu não conseguiria, nem cinquenta votos. Muitos colegas, detentores de portarias e outras bocadas se afastaram e a minha presença os constrangia.  Eu entendo, não se pode cobrar ideologia e nem impor suas verdades a ninguém. Além do mais, eu sempre disse aos mais próximos que a minha candidatura tinha um caráter didático. E guardo a certeza de que foi, tanto pra mim, quanto para os outros.
Durante esse ano eu aprendi de forma contundente o preço da fidelidade aos ideais. Tive que segurar meu ímpeto contestador diante dos colegas que se recusaram silenciosamente a colocar meu adesivo, simplesmente para não melindrar os “poderosos” e inviabilizar futuras bocadas. E precisei compreender aqueles que não puderam colocar uma das placas que mandei fazer porque precisavam do dinheiro que outros candidatos ofereceram para colocar as suas. Ainda sobre os esclarecidos acomodados e os esclarecidos necessitados, afirmo, com os ânimos pacificados que os primeiros, hoje, merecem o meu resguardo e os segundos, a continuação da minha luta para libertá-los desse estado de dependência criado com a cumplicidade dos primeiros. Quem toma partido conquista adversários, mas quem se anula vive sem honra,vagando inebriado pelas suas ambições horizontais. Os conscientes sabem que os candidatos ligados à máquina, tanto prefeitos como vereadores, não poderão legislar para o povo porque possuem o rabo preso. Assim sendo, mesmo cientes da sua responsabilidade cidadã, se colocaram ao lado dos candidatos da máquina. Por que? Porque almejavam manter ou conseguir vantagens pessoais. Desprezível atitude, mas justificada pela cultura do “quero me dar bem” transmitida geração após geração.
No dia das eleições, como não contávamos com gente suficiente para constituirmos fiscais de partido, circulamos pela cidade na companhia do candidato a prefeito Cláudio Leitão. Foi uma lição prática do nível de ignorância da população no que tange à importância daquele momento. Na periferia, fomos abordados por pessoas que se diziam indecisas e logo em seguida ofereciam seus votos em troca de dinheiro. Foi lamentável presenciar na prática a tão conhecida alienação e miséria moral da população. Nos esquivávamos de todas as maneiras desse tipo de assédio, sendo forçados inclusive, a deixarmos rapidamente alguns bairros.
Se por um lado muita gente próxima, não me apoiou, por outro recebi o apoio de pessoas com as quais eu nunca imaginei contar. E não falo de dinheiro, mas sim de disponibilidade para ajudar a compartilhar nossos ideias, de apoio moral e da declaração do voto.
Saio dessa candidatura surpreso com o forte apelo que ela teve diante dos mais esclarecidos e convencido de que o trabalho de saneamento da concepção política das camadas populares é uma tarefa hercúlea e ingrata dado o grau de pobreza da maioria e pelo fato de que muitos dela se beneficiam.
Gostaria de explicitar a minha surpresa ao presenciar candidatos derrotados dando entrevista e deixando transparecer uma ponta de indignação por não terem sido eleitos mesmo depois de terem implementado “projetos sociais”. E mais: culpando a compra de votos no dia das eleições por suas derrotas. Ora meus amigos, “ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”. Tanto o assistencialismo, quando a compra direta de votos,são formas de oprimir o eleitorado. Mas como gosta de dizer a minha esposa: “Só existe opressor, porque o oprimido permite.” E no caso em questão, não só permitem como também confirmam. Por fim, gostaria de dizer aos opressores e aos seus cúmplices que estamos aqui, de pé e dispostos aos enfretamentos necessários.  E aos oprimidos, que ainda acreditamos com todas as forças que “nada, nada deve parecer natural e impossível de mudar.”


Um olhar sociológico sobre o SUS




  Desde a criação do Ministério da Saúde e Educação em 1930 até 1988, somente os trabalhadores com carteira assinada tinham direito à assistência médica. A democratização do acesso à saúde data da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988, quando a saúde passou a ser um “direito de todos e um dever do Estado”. Nascia o Sistema único de Saúde.
Inspirado nos modelos da medicina social de alguns países europeus como a França e a Inglaterra, o SUS tem como princípios básicos a integralidade, a equidade e a universalidade. Seria universal, ao garantir a todos o acesso aos seus serviços. Igualitário ao primar pela igualdade de condições de tratamento dos seus usuários. E por fim, integral, ao abranger medidas de prevenção, atendimento e internação. Acontece que na cultura do clientelismo brasileiro, onde as leis são contextuais (depende do contexto) e não contratuais (vale o que está escrito), a realidade é outra. Por que? Porque embora ouçamos falar em Políticas Públicas de Saúde, estas se encontram vinculadas a uma prática comum na nossa sociedade: o patrimonialismo.


   De acordo com o sociólogo Bernard Sorj(2001), patrimonialismo é o controle de determinado segmento da esfera pública por grupos privados organizados que manipulam a máquina estatal em prol dos seus interesses. Teoria da conspiração? Não. Experiência consciente e elucidativa nas baixas camadas da sociedade.
A idealização do SUS previa também uma divisão de responsabilidades entre os poderes públicos e uma aproximação gestão/usuário que não acontecem. Além disso, temos gestores  profissionais de outras áreas e usuários incapazes de exercerem o papel que lhes cabe no tão necessário controle social. O conselho de saúde está aí, mas e nós enquanto razão de ser do Estado , estamos? Esta análise nos remete ao músico e filósofo iluminista Jean Jacques Rousseau que ao nos legar sua concepção do Contrato Social,  afirma que este surge da associação e não da submissão dos homens. Para pensador o papel do estado é zelar pelo bem comum, o que coloca o homem como um beneficiário do Estado.
Hoje em dia corremos risco de parecermos utópicos ao evocamos a participação da sociedade, mesmo quando o que está em jogo é a dignidade da mesma. No desfiar das queixas sem eco que compõem o cotidiano, somos compelidos ao senso comum, à falta de fé, ao conformismo e ao deslocamento da culpa para o governo e suas leis que, teoricamente, são a manifestação da nossa vontade.  E enquanto alguns pagam duas vezes pelos direitos que têm, cá estamos nós alimentando os nossos Planos: de uma real democracia e de não adoecer.
                                                                                                        
                

Inspirado pelo assassinato do MAX: Matrix e a Alienação


      
       A história do hacker Neo que descobre o mundo ao seu redor como uma ilusão criada por computador, combina elementos cristãos, budistas e passeia por várias concepções filosóficas desde Platão (Mito da Caverna) a Descartes(Questionamento sobre  realidade). Dá pra sentir a força do argumento do filme, afinal não é pouca coisa que mexe com o ceticismo da comunidade científica. Já imaginaram o golpe na vaidade humana ao descobrir que tudo o que nos cerca, desde a descoberta do fogo aos grandes impérios, não passa de um programa criado por um webmaster qualquer, brincando de Deus?    
        Por mais improvável que possa parecer, tal possibilidade encontra argumento favorável em Platão e seu Mito da Caverna. Durante um diálogo Platão compara a nossa percepção da realidade a de homens que se encontrariam no interior de uma caverna, de costas para a entrada. Incapazes de se mover, tudo que estes homens conheciam do mundo, eram sombras projetadas por uma luz externa no interior da caverna. Essas sombras (pra complicar) eram de objetos que homens carregavam por detrás de um muro, que ficava entre a entrada da caverna e a luz que produzia essas sombras. Se os homens falavam, os habitantes da caverna teriam a impressão de que os objetos tinham vida própria (algo como acontece com os fantoches). Assim, a realidade seria algo muito distante do que aqueles homens cativos conheciam como tal. Platão arremata, afirmando que se estes pudessem ter acesso ao lado de fora da caverna e consequentemente à verdade, provavelmente retornariam para o abrigo desta, ofuscados pela realidade. È mais fácil nos acomodarmos no aconchego daquilo que concebemos como real, a ter que colocar em cheque nossas crenças e valores diante do novo.
        Em uma abordagem sociológica poderíamos arriscar que o “efeito Matrix” não é assim tão absurdo. O esforço para alienação popular  também  não cria um “véu” sobre a coletividade impedindo de ver com clareza a realidade?
Recentemente conversava com um conhecido que me disse: “O povo gosta é de festa!”
Eu não discordo, até porque nas festas satisfazemos as nossas necessidades do corpo. E é aí que está: Existe algo mais que não é disponibilizado para a maioria por se encontrar sob o “véu” do “Pão e Circo”!Desviado das preocupações que realmente possam mudar suas vidas, os brasileiros vão "parar" para descobrir quem matou o MAX.
        Os valores são culturais, ou seja, são transmitidos. Se os veículos de comunicação de massa determinam a “festa”, a satisfação do nosso instinto básico, assim seja. A manipulação cultural faz parte da nossa cultura. É como se vivêssemos em um gigantesco teatro de fantoches no qual nossos movimentos fossem orientados por mãos invisíveis para a maioria.
        A cultura que, segundo uma simplificação do Darcy Ribeiro “É tudo aquilo produzido pelo homem.”, se confere a um povo identidade, ao mesmo tempo pode ser utilizada como forma de alienação, criando simulacros tal qual a Matrix, onde as simulações e dissimulações são tão bem elaboradas que suas vítimas não conseguem vislumbrar outra realidade possível. Mas será mesmo que ela existe?

Manifesto Pela Democracia Musical








      Muitos artistas de Cabo Frio precisam procurar os municípios vizinhos, que possuem programas culturais abrangentes e que visam contemplar as diversas tribos urbanas, tanto para apreciar, como para apresentar o gênero musical que lhes agrada.
    Sabemos que não é possível agradar a todos, no entanto, entendemos que as políticas culturais locais têm privilegiado determinados estilos em detrimento de outros como, por exemplo, o Rock and Roll em todas as suas variações.
     De acordo com o art. 215º da Constituição Federal, garantir “a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, apoiar e incentivar a valorização e a difusão das manifestações culturais” é um dever do Estado. A cada dia novas bandas surgem, mas a dificuldade em se apresentar abrevia a sua existência comprometendo, limitando e cerceando o entretenimento de um segmento da sociedade que cresce, mas que continua praticamente invisível aos olhos do poder público local. Está na hora de repensar as políticas públicas culturais da cidade de Cabo Frio. Está na hora de ouvir a juventude e atender seu desejo e necessidade de manifestação cultural.
 Sabemos que as necessidades culturais não são as mais urgentes em um país onde a corrupção, a falência da educação e a fome ilustram o cotidiano. No entanto, é pelo desejo de justiça, que ofereço este manifesto a todos aqueles que nos procuram e declaram sua insatisfação.  Desejamos a democratização do acesso aos meios públicos de expressão artística.

O Politicamante correto e a sua política de desconstrução




                O teórico cultural Stuart Hall tem estudado o que chama de descentramentos identitários provocados pela globalização. Baseado em outros teóricos como David Harvey e Antony Giddens, ele avalia os danos causados pela diminuição das distâncias culturais promovidas pelo desenvolvimento dos meios de comunicação e de transportes.
            Os argumentos de Hall são facilmente comprovados a partir de uma superficial observação no nosso cotidiano caracterizado pela efemeridade estrutural das nossas ideias e relações, sem falar da crescente influência da cultura estrangeira, verdade incontestável e inexorável do nosso “estrangeirístico” cotidiano. Até aí tudo bem, podemos justificar tal tendência como um ditame das imperiosas necessidades do capitalismo. Uma “novidade” sempre presente na cultura brasileira, legitimada pela mídia e pelos grupos que dela extraem e exercem poder.   Mas um tipo curioso de desconstrução identitária vem ocorrendo por conta da onda do politicamente correto: trata-se da alteração de elementos culturais por conta da formação de uma geração politicamente correta.
           As crianças hoje não cantam mais “O Cravo brigou com a Rosa”, para não mais fazer apologia à violência contra a mulher (o que poderia levar o cravo a ser enquadrado na Lei Maria da Penha), assim como também não mais cantam “Atirei o Pau no Gato”, para não incentivar a violência contra os animais, nem o “Sou Pobre, pobre ,pobre....” para que não seja exaltada a patente desigualdade social entre os homens. Ridículo, se pensarmos que a nossa geração cresceu assistindo a perversidade do Pica-pau, a infindável violência entre o Tom e o Jerry e seguimos com as deliciosas desventuras humanas no seriado Os Simpsons!
         No fim do ano passado meu filho representou na escola o deus grego Ares, Marte para os romanos e senhor da guerra. Providenciamos a fantasia: um elmo, um colete e uma espada de plástico. A espada foi vetada! Armas não!  Mas no canal Disney XD, a pistola NERF, que atira dardos é a nova sensação entre a garotada. Por falar em crianças, algumas continuam vendendo bala no sinal, diante da omissão das autoridades, que com certeza argumentam para os seus filhos que isso acontece por culpa dos próprios, uma vez que diante da lei todos somos iguais e trazemos a constitucional igualdade de direitos e oportunidades.
       A onda do politicamente correto ignora a tradição sob o véu do modismo e faz vista grossa no cenário de desconstrução identitária. Elementos folclóricos como o Saci e a Mula sem cabeça, estão praticamente fora de algumas escolas graças ao processo de evangelização do ensino , que os consideram “coisas do Capeta”, no entanto em outubro muitas escolas festejam o Halloween  promovendo a ideia de que algo se torna legítimo pelo seu potencial comercial.
      Existe festividade mais excludente que o Natal? “...como é que o Papai Noel, não se esquece de ninguém....”. Seu significado religioso, por muitos é relegado a um segundo plano , isso quando é considerado.
    Quem idealiza o que é politicamente correto? O senso comum!O que é o senso comum? Uma construção cultural! Quem manipula a cultura? A mídia! Quem é a mídia? Um grupo de pessoas que vivem e pensam de maneira diferente da maioria da população. Pessoas que possuem um olhar voltado para as tendências, para propagar tendências. Alquimistas culturais cujo experimento é reordenação dos valores para atender ao mercado e que ao longo da sua experiência testam incessantemente a sua capacidade de persuasão.
      Não podemos mais ignorar as transformações culturais desse fenômeno que alguns teóricos culturais chamam de Pós-modernidade. Não podemos também negar as benesses da globalização cultural que vivenciamos, mas a preservação dos nossos valores, sejam eles individuais, locais, regionais ou nacionais, é uma tarefa pessoal que não deve sofrer  passivamente a influência dessas “experimentos culturais“  que nos são impostos, sob  pena de perdermos a nossa  já combalida identidade cultural.
Bom , agora preciso ir . Vou comprar uma pistola de água para o meu filho.
    
             

PROFESSOR ALIENADO, PROFISSIONAL DESVALORIZADO




Todos os dias nos lamentamos do pesado fardo imposto à nossa profissão. A pesada carga horária, os baixos salários, a difícil tarefa de fazer compreender o porquê estarmos ali, as precárias condições de trabalho, a falta de estrutura, etc. Procuramos culpados, selecionamos pessoas físicas, jurídicas e culpamos o sistema. A culpa é do SISTEMA!
Acontece que estamos inseridos no sistema. Na verdade somos a maior parte dele. Somos a base do sistema! Assim sendo, se nos balançarmos juntos, talvez possamos abalar sua estrutura!
É muito conveniente esperarmos a chegada de um messias mítico institucional que um dia irá nos livrar do pecado da escolha, da subserviência e da falta de fé em nós mesmos. Não adianta nos filiarmos a sindicatos e esperar que ele resolva. Sem a nossa participação ele é inútil.Profissionais de pouca fé, por que duvidastes?
Por que não crermos no poder que temos? Por que nos calarmos diante das imposições políticas se elas são efêmeras, sabemos nós, diante da perenidade que uma postura coerente com uma fala convincente pode representar?
A marca que a nossa imagem pode imprimir é duradoura. Uma palavra pode traçar e alterar rumos. Temos o poder, mas não sabemos usá-lo. Sabemos algumas coisas, outras não ousamos vislumbrar; o SISTEMA não deixa. Mas existe algo que nos é permitido ver: Onde há professor alienado, existe um profissional desvalorizado!

Para os meus filhos




Todo mundo um dia já  sonhou ser um super-herói. Poder voar como o Super-homem, ser veloz tal qual o The Flash, ter a superforça do Incrível Hulk ou as habilidades do Homem Aranha. Toda criança sonha! Sonha os sonhos de criança e é assim que tem que ser. O papai e a mamãe também sonham com os poderes dos seus filhos, por isso lhes dão nomes de reis e rainhas, príncipes, princesas ou de pessoas que fizeram coisas importantes na História.
Eu quero dizer para vocês que nós sempre acreditamos em suas capacidades.
A vida é assim, divertida, mas cheia de desafios, como nas histórias em quadrinhos. Após cada obstáculo superado, nos tornamos mais fortes e experientes, aprendendo a usar melhor nossos superpoderes do mundo real.
Muitas vezes, nossos poderes ficam escondidos como os do Will Stronghold da Escola de Super-Heróis, que não sabia a força que possuía e por isso se sentia pior do que os outros. Ao longo da vida vocês descobrirão os poderes que estão dentro de vocês. Descobrirão que podem voar através da imaginação para qualquer lugar e que todo ser humano é aquilo que pensa ser!Descobrirão também que a riqueza verdadeira não é poder ter tudo o que quer, mas dar valor a tudo o que tem.
Enfim, meus filhos queridos, acreditem sempre em vocês!
Desejo que ao longo da vida vocês possam desenvolver o maior poder que um ser humano pode ter: o poder de ser feliz!
                                                                                 

Você é Feliz?







       Muitos pensadores se dedicaram a explicar a felicidade, cada qual utilizando as lentes que o contexto de suas épocas lhes possibilitou. Longe do mundo das conjecturas e num plano mais próximo da nossa existência cotidiana, carregada muito mais de vivências do que de reflexões, aqui estamos nós sem nenhuma pretensão filosófica, em uma pausa nessa realidade frenética a nos perguntarmos: O que é a felicidade?
      O filósofo grego Platão afirmou que a felicidade é o objetivo da existência humana.  Para o seu discípulo Aristóteles ( Ética a Nicômaco) feliz é aquele que é virtuoso e que pratica o bem.  Da antiguidade para a modernidade, diz Rousseau que a felicidade não é fazer sempre o que se quer, mas não fazer o que não se quer.
        As religiões também especulam sobre a felicidade.  Algumas pregam que a felicidade não é deste mundo, outras prometem alívio imediato para  todo tipo de sofrimento humano.  Por falar em sofrimento, o budismo afirma que este é causado pelo desejo, o que nos leva a pensar que desejar dói. Mas se não fosse o desejo, teria a humanidade chegado onde chegou?  Mesmo diante de todos os efeitos e defeitos ecológicos, éticos e morais que protagonizamos, devemos reconhecer que a aventura humana no planeta e a sua evolução, da ferramenta de lasca de pedra ao notebook no qual digito estas palavras, foi um feito notável de um organismo movido pelo desejo, unicamente pelo desejo. Então podemos afirmar que o desejo move o mundo, pelo menos o desejo de ser feliz.
           Nessa relação felicidade/desejo, temos uma perspectiva interessante: se a felicidade é alcançada geralmente através da satisfação do desejo, a felicidade plena é inatingível, uma vez que sempre queremos mais. Mas se o desejo provoca a felicidade, a ausência da felicidade também inibe o desejo. A manifestação mais contundente da falta de felicidade se caracteriza justamente pela ausência do desejo. O deprimido nada deseja ou muito pouco quer.
           Na nossa sociedade estamos sempre buscando a felicidade, não aquela concebida por Platão e Aristóteles, mas sim esta atrelada à satisfação imediata dos nossos desejos. O marketing da felicidade na nossa sociedade é tão forte que acreditamos ter a obrigação de sermos felizes o tempo todo, o que nos causa uma grande ansiedade e nos leva a buscarmos insanamente tal estado de espírito. Tem gente que busca este estado nas compras, outros, nas drogas, alguns na esperança de serem amados por aqueles que amam, também temos os que almejam o sucesso para que possam ser felizes na sociedade que exalta e venera os vencedores. Enfim, a felicidade é buscada em tantos horizontes, quantos são aqueles que a buscam. Estamos desse modo, transferindo a responsabilidade sobre esta sensação para fora de nós, quando na verdade, ela é uma conquista interna, pessoal e intransferível.
          Há alguns anos um li um artigo e guardei a revista diante da impossibilidade de memorizar o nome do pesquisador Mihaly Csikszentmihalyi da Universidade de Chicago. De acordo com testes realizados por Mihaly, as pessoas que trabalham com o que gostam são capazes de atingir um nível quase perfeito de alegria que se mantém por um tempo relativamente longo. Tal sensação também se manifesta nos monges budistas em estado de meditação, prática que ativa o córtex pré-frontal esquerdo, levando a um melhor funcionamento do organismo e melhorando inclusive o sistema imunológico. Resultados semelhantes foram verificados nos cérebros de pessoas que fazem o bem semanalmente com trabalhos voluntários em asilos, orfanatos e instituições de caridade (o Brasil deve ser um bom lugar para se buscar a felcicidade). O mesmo artigo menciona o psicólogo Martin Seligman que indica três fontes para se alcançar a felicidade: prazer, engajamento e significado. De acordo com o estudo do Dr. Seligman, podemos supor que: feliz de verdade é quem consegue reunir estes três elementos ou pelo menos manter um “rodízio” destes, uma vez que o prazer, seja ele qual for, é efêmero, o engajamento se desgasta e o significado só perdura enquanto existir o significante, que como tudo, é finito. Se bem que o mestre Tom Jobim um dia cantou: “Tristeza não tem fim, felicidade sim.”
          Bom, já que a felicidade é mesmo efêmera pela própria condição humana e chega sempre para a grande maioria como intervalos de sol em um dia chuvoso, busquemos o equilíbrio, o caminho do meio, o “Conheça-te a ti mesmo” e sigamos evoluindo. Talvez um mundo de felicidade plena significasse o travamento evolutivo da humanidade, onde nossos sorrisos constantes amarelariam em um cotidiano enfadonho cheio de desejos satisfeitos. E na falta de um contraponto nós nunca saberíamos o que significa ser ou estar feliz.
No entanto, para os casos de emergência, aí estão os antidepressivos, o altruísmo e a fé.

                                                               
                                                               @profrogerio50

A Memória da Família e a Família na Memória




            Ao iniciar um ano letivo, sempre procuro saber sobre o local de origem dos meus alunos e dos seus pais. Através dessa prática, procuro compreender a formação da comunidade que circunda a escola para melhor direcionar o trabalho em sala de aula. Nesses anos de magistério descobri que muitos alunos não têm noção das suas origens, sendo que o pouco que sabem não vai além do local de nascimento do pai ou da mãe. Os nomes dos avós ou local de origem destes, quase sempre desconhecem.  
            Essa descontinuidade na história pessoal do indivíduo pode influenciar negativamente na afirmação de alguns sentimentos, como o desejo de pertencimento que origina o nacionalismo e de auto-estima, importante elemento na busca pela cidadania. Não precisamos de muito esforço para perceber que as nossas relações sociais sofreram profundas alterações nos últimos 50 anos.  Considerando as necessidades imperiosas do imediatismo desvalorizamos o passado. E o vazio criado tem sido preenchido com informações massificadas.         
               O sociólogo francês Maurice Halbwachs afirmava que a memória é um fenômeno cultural, ou seja, que a nossa memória individual é um ponto de vista da memória coletiva. Se tudo que é cultural o é por ser transmitido ao longo das gerações, a “falta de memória” que hoje presenciamos na nossa sociedade é também um fenômeno cultural. Afirmava ainda, que o que consideramos relevante lembrar é também uma construção social, subjugando a memória individual à memória coletiva.
          Sendo a memória um fenômeno cultural, a família possui uma grande influência na sua valorização, mas a dificuldade de sobrevivência associada a fatores socioculturais alteram as relações familiares e a sua prática se torna muito difícil. Para piorar a situação, a influência dos avanços tecnológicos no nosso cotidiano tem contribuído para individualizar o ambiente familiar. Hoje muitas famílias passam um fim de semana “juntos”, porém absolutamente separados. Podem dividir o mesmo ambiente, mas não o mesmo assunto ou interesse. Muitas vezes uma falta de energia, de sinal da TV, ou o mau funcionamento da internet, se tornam grandes aliados na recuperação do convívio familiar, condição imprescindível para a conservação da memória da família.





         Pensar a experiência cotidiana e externá-la, promove o autoconhecimento e a compreensão da história individual. Pais que educam através das suas experiências, das suas histórias, sejam elas vitórias ou frustrações, contribuem bastante para o crescimento emocional dos seus filhos, além de iniciar o processo de compreensão do saber histórico ao se colocarem como protagonistas da História. O ideal seria que cada ser humano escrevesse as suas memórias ou que pelo menos se preocupasse em transmiti-las. Não há história que não mereça ser contada. O processo de massificação da informação e de deslocamento das prioridades afetivas que têm caracterizado as sociedades de consumo, diminui cada vez a outrora  básica necessidade de preservação da memória pessoal. Preservar a memória é prepará-la para enfrentar o desgaste do tempo sobre a tradição.  
       Outro sintoma desse distanciamento da memória é a maneira como as gerações recentes têm tratado os idosos. Na sociedade da informação, ser velho é ser ultrapassado. Vez ou outra, quando uma escola deseja resgatar a memória recente de um bairro ou cidade, o idoso é entrevistado, sua memória é registrada e depois transformada pelos alunos em redação ou desenho e acaba aí. Um dia, o filósofo iluminista e músico francês, Jean Jacques Rousseau disse: “Na juventude deve-se acumular o saber. Na velhice fazer uso dele.” Hoje, poucos são os idosos que possuem a oportunidade de exercitar o seu saber, geralmente por falta de ouvintes. No frenesi da evolução tecnológica, o apreço pela memória tem esmorecido e a informação tem sido confundida com conhecimento.
         Considerando o quadro de constante “emergência” em que vivemos, pode parecer utópico e despropositado nos preocuparmos com a preservação da memória familiar. Somos compelidos a adotar os valores da maioria, principalmente se a família, enquanto núcleo primário da construção da identidade, não desempenhar o seu papel ideológico. O posicionamento de cada um diante de tal realidade, dependerá justamente das suas experiências de vida, experiências essas que nos tornam únicos e especiais. E como dizem por aí: “Tudo que é especial merece ser lembrado!”

                                                                                                   Rogério Carvalho
Professor de História - Especialista em História do Brasil
Artigo publicado no Jornal Público Alvo- abril de 2011.




Laguna de Araruama: história de vida e renovação
            A história da relação entre a Lagoa de Araruama e os seres humanos data de cerca de 6.000 anos, quando os primeiros grupos humanos aqui chegaram, se estabelecendo nas suas proximidades por períodos relativamente curtos. Tem início a ação antrópica (ação do homem sobre o meio através das tecnologias disponíveis) nas margens laguna. Como os primeiros grupos humanos eram formados por poucos indivíduos, a intervenção humana era muito limitada, quase não se fazendo sentir, não fosse a formação dos sambaquis a partir dos restos alimentares e sedimentos naturais que se acumularam ao longo do tempo. Estes caçadores e coletores se beneficiaram da abundante bioma da região, embora não possuíssem condições de explorá-la em toda a sua potencialidade. Somente mais tarde, com a chegada dos tupinambás acerca de 1500 anos atrás, o entorno da laguna passou a sofrer uma maior influência humana, visto que esses índios possuíam um amplo conhecimento do ecossistema local, sobretudo da laguna, ampliando o processo de exploração. Ainda assim, o convívio entre os indivíduos e a natureza local se pautava em uma relação de harmonia, até porque o seu esforço produtivo destinava-se à satisfação das necessidades imediatas do grupo o que limitava o seu intuito predatório.
       
       Com a chegada dos europeus no séc. XVI, a transformação da paisagem local se intensificou, principalmente pela extração do pau-brasil. Nessa época, a laguna também foi utilizada pelos portugueses como acesso e via de escoamento dos produtos retirados do seu entorno.  A grande capacidade de produção natural de sal da Lagoa de Araruama, levou Portugal a proibir o consumo do sal local, numa imposição do monopólio do sal português na colônia Brasil. Mais tarde , no início do século XIX, o monopólio português sobre a produção de sal foi extinto e a atividade salineira alteraria sistematicamente o entorno da laguna.  A Lagoa de Araruama sempre desempenhou um papel primordial na ocupação e sustento da região .
         Durante o séc. XX, com o crescimento desordenado das cidades que banha, a laguna teve o seu equilíbrio natural  violentamente abalado pela poluição gerada pelo constante aumento populacional nas suas margens. O lançamento de esgoto in natura foi a mais contundente ação humana sobre a maior laguna hipersalina do mundo, contribuindo para a diminuição da salinidade da água e favorecendo o surgimento de micro-organismos que acabam com a transparência da água.  A poluição também limitou a pródiga oferta dos frutos lacrustes, seja pelas periódicas mortandades, ou pela natural evasão das espécies, prejudicando as famílias que deles retiram o seu sustento.
           Os esforços do poder público para a recuperação da laguna têm contribuído para a sua revitalização. A dragagem das áreas assoreadas tanto na laguna, quanto no Canal do Itajuraumentou o fluxo das correntes reduzindo o tempo de renovação da água. A reordenação de redes de esgoto, a construção de elevatórias e estações de tratamento reduziram significativamente a nociva ação do esgoto sobre a laguna, mas a conscientização da população, sobretudo das nova gerações, é muito importante para o processo de revitalização . Quem tem acesso cotidiano às suas margens se surpreende com a quantidade e a variedade de lixo que ali se acumula trazido pelas correntes ou jogado diretamente no local. De lâminas de barbear a sofás, de garrafas PET a computadores. De tudo se encontra.
           Livrar a Lagoa de Araruama do contato com os seres humanos está obviamente fora de questão, mas repensar a qualidade desse convívio é muito importante. As milhares de famílias que dela retiram o seu sustento deveriam ser as mais interessadas em promover a sua preservação. A pesca predatória, com redes de malhas desnecessariamente finas ou na época do defeso continua acontecendo, mesmo diante do pagamento da “ajuda de defeso” pelo governo aos pescadores cadastrados. Por isso, juntamente com as obras de revitalização faz-se necessária a adoção de medidas educacionais de conscientização, trazendo para a comunidade o controle informal, porém cotidiano, do gerenciamento da preservação da laguna.
           Na história presente da relação homem/Lagoa de Araruama, falta-nos atribuir a esta última, uma quintessência, um ânima, que lhe elevaria à condição de entidade para que assim, através do resgate desta reverência dos grupos humanos do passado, possamos garantir às gerações futuras uma Lagoa de Araruama, literalmente, cheia de vida.
                  

                                                                                                 Professor Rogério Carvalho

Uma pergunta pertinente e uma resposta nada convincente!!!



Na semana passada, durante uma aula sobre a crise de 1929 em uma turma do 9° ano, um aluno me perguntou porque os professores são tão desvalorizados. Embora estivéssemos falando sobre a crescente influência ideológica do socialismo no entre guerras e consequentemente a má distribuição de renda no Brasil tenha vindo à tona, a pergunta me pegou de surpresa. 
Sempre que eu me questionava sobre esta desvalorização eu chegava à conclusão de que isso fazia parte de uma conspiração das elites para controlar o povo. Um povo ignorante é muito mais fácil de ser governado, mas esta resposta me pareceu marxista demais. 
O tempo havia congelado, centésimos de segundo se passaram entre uma ou outra possível resposta. De repente me surgiu a questão da ideologia: o magistério se esqueceu do poder ideológico que tem! E a sociedade aceitou tal desmobilização! Me lembrei das greves dos anos 80..., não era professor, mas minha mãe sim. Fazia greve, mas não era marxista, era PROFESSORA! 

Justamente a partir dessa década o status começou  a  diminuir: PROFESSORA! PROFESSORA! PROFESSORA!

 Precisava de uma resposta ! Me lembrei do recente comercial da TV , no qual cidadãos de várias partes do mundo respondem que o professor é importante em seus países! O que o governo quer com isso? Se convencer? Tá e daí ? E agora que já realizaram a "pesquisa"? Valeu pela informação(Essa campanha deve ter sido muito cara!).
E lá estava a classe, muda! A está altura um segundo se passara! Me ocorreu um comentário que recebi recentemente de uma professora que jogava a culpa pela desvalorização nos colegas que não querem estudar e se especializar(como se todos tivessem grana e tempo pra isso). Me lembrei também, nesse átimo   de segundo, a resposta que dei  para a professora que com certeza é sustentada pelo marido , gastando o seu parco salário de professora com Natura, Avon e Hermes.
Talvez se ele tivesse me perguntado o nome completo de D.Pedro, ou qual era a capital do Egito durante o governo de Amenófis IV teria sido mais fácil  responder! Eu não podia deixar a peteca cair!Afinal sou professor! Formador de opinião!
Então sorri um sorriso de "esperto", desse de canto de boca e disse: Ah! Quer tudo mastigadinho?Nada disso! 
Atenção turma ! Quero uma pesquisa para a próxima aula!Tema: "A desvalorização do magistério no Brasil!"

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Para que serva a escola ?


                         


                                                           

                Existe atualmente uma certo “mistério” em relação a utilidade da escola, isto tanto por parte dos alunos quanto dos professores. Mas qual será a origem dessa dúvida? Será que devido ao sucateamento da escola? Será que é pela maneira como as famílias se relacionam com a escola? Ou será que é tudo isso junto ?
                O fato é que quando perguntamos aos alunos por que eles estão na escola, nem sempre recebemos uma resposta  e quando recebemos dizem que é para “aprender”. Mas no fundo, no fundo ele não sabe o que, ou o porquê do aprender. A escola parece ter recebido (sabe-se lá de quem), um caráter automático e institucional. Muito alunos vão para a escola por    que faz parte da rotina. Cresceram sabendo que têm que ir! É cultural, no sentido empírico da palavra. Para completar, a mídia dá a maior força nesse sentido, propagando como opção acessível a todos, o golpe de sorte de alguns que acabam sendo um paradígma  utópico de rápida ascensão econômica(jogadores de futebol, atrizes, músicos,etc). O que a mídia não informa é que milhões dão com os “burros n’água”, nem que sonhar é saudável, desde que não se viva a ilusão em detrimento da realidade .
               É apavorante o apelo que essa cultura de massa tem sobre os nossos jovens! A grande maioria dos alunos quando perguntados sobre o que querem ser (raramente sabem), respondem que querem ser jogadores de futebol de um grande time e ganhar muito dinheiro As meninas (adolescentes) geralmente querem ser modelos ou atrizes de tv e por aí vai. Muitos desses sonhadores têm acabado como traficantes, assaltantes, pais e mães prematuros ou, na melhor das hipóteses acabam empacotando compras num supermercado qualquer. É claro que de cada cem alunos, dois têm um futuro melhor, como frentista de posto ou vendedor em alguma loja. Empregos honrados como quaisquer outros. Disputados a tapa por nossos alunos( muitas vezes evadidos) ante a desacreditada instituição escolar.
       A nossa sociedade ocidental, agravada pelo imediatismo das sociedades capitalistas e por esta “brasileiralidade”, consentem e  legitimam a postura das autoridades (de  competência duvidosa , já que o são pela prática política) diante da urgente questão da educação nacional.
           A educação deve, portanto, ser encarada como prioridade. Como estrutura social e não como consequência política. Assim, quando os desvalorizados profissionais da educação redescobrirem e fizerem redescobrir o valor que têm, não mais ecoará  no consciente coletivo, a  desconcertante  questão: Pra quê serve a escola?
                

O valor de um professor




  Hoje em dia faz parte do senso comum  a ideia de desvalorização do magistério enquanto profissão.
              Há apenas algumas décadas, pais de várias camadas sociais enchiam a boca para alardear que seus filhos haviam se tornado professores. Era uma profissão respeitada por todos, inclusive pelos próprios professores.
             Atualmente os professores são uns dos profissionais que mais padecem de depressão, problemas cardíacos e respiratórios. As salas de aulas lotadas, os baixos salários, sucateamento das instituições de ensino e a aguda crise da auto estima  profissional, colocam os professores numa situação de penúria moral e/ou econômica.
             Não raro ouvimos por aí: “Bem feito, não estudou agora é professor!” ou “Sai desta, você é pode conseguir coisa melhor!” Acontece que existem muitas razões para se persistir mas é a fé a mais forte delas.  Fé que com o nosso trabalho poderemos construir uma sociedade melhor, fé que a conquista da dignidade social passa pela escola e que colheremos os frutos, mesmo que para isso tenhamos que tapar os buracos deixados pelas famílias também enfermas. E que poderemos sobreviver dignamente sem precisar abandonar a profissão.
             Sabemos que muitos professores estão nas escolas temporariamente, esperando os concursos para os “TRs” da vida.Geralmente são estes que desistem de certos alunos e os condenam sem cuidado com frases do tipo:” Esse aí não tem jeito não”, abortando a “missão” com a qual se comprometeu : orientar , fazer aprender e soerguer.
               É claro que todos os indivíduos têm direito de desejar o melhor para sua vida, mas quem se propõe a lidar com o Magistério, assim como com  a área de saúde, tem que estar ciente, antes de mais nada, de que aqui se lida com vidas e o tempo não espera ninguém.  O descaso do professor hoje, pode  comprometer para sempre  o desenvolvimento do processo cognitivo do aluno.  Nossas repletas escolas são como hospitais de pacientes agonizantes por erro médico.              
   Pode ser que a problemática da desvalorização da escola passe pela maneira como hoje a família vê a escola. Muitos dos pais dos nossos alunos, também cresceram sem entender para que uma escola serve e não sabem como se relacionar com ela. Muitos pais por exemplo só aparecem na escola para reclamar que seus filhos foram embora mais cedo, que a merenda foi canjica, ou macarrão com salsicha. Quando são convocados e aparecem, o fazem para esbravejar, já que têm mais o que fazer.  Muitos deles, doces e submissos diante de seus médicos e pastores, não hesitam em destratar os professores de seus filhos. E os professores, muitas vezes desconhecedores de seus direitos, consentem.
            Em tempo, existe ainda a teoria (com um quê de marxismo)que diz que na verdade a decrepitude do Magistério é resultado da luta de classes. E, se é intencional tem um culpado, que seria a classe dominante, que seja lá quem for acha mais fácil dominar os iletrados.
            Bom, para demonstrar que nesta coluna não há pretensões filosóficas dadas às verdades absolutas, reafirmo que este espaço é aberto para todos aqueles que pensam a sociedade. Se você, professor ou não, tem algo relevante a dizer sobre este assunto, utilize o espaço dos comentários para que possamos saber o que você pensa(ou se pensa).