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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Inspirado pelo assassinato do MAX: Matrix e a Alienação


      
       A história do hacker Neo que descobre o mundo ao seu redor como uma ilusão criada por computador, combina elementos cristãos, budistas e passeia por várias concepções filosóficas desde Platão (Mito da Caverna) a Descartes(Questionamento sobre  realidade). Dá pra sentir a força do argumento do filme, afinal não é pouca coisa que mexe com o ceticismo da comunidade científica. Já imaginaram o golpe na vaidade humana ao descobrir que tudo o que nos cerca, desde a descoberta do fogo aos grandes impérios, não passa de um programa criado por um webmaster qualquer, brincando de Deus?    
        Por mais improvável que possa parecer, tal possibilidade encontra argumento favorável em Platão e seu Mito da Caverna. Durante um diálogo Platão compara a nossa percepção da realidade a de homens que se encontrariam no interior de uma caverna, de costas para a entrada. Incapazes de se mover, tudo que estes homens conheciam do mundo, eram sombras projetadas por uma luz externa no interior da caverna. Essas sombras (pra complicar) eram de objetos que homens carregavam por detrás de um muro, que ficava entre a entrada da caverna e a luz que produzia essas sombras. Se os homens falavam, os habitantes da caverna teriam a impressão de que os objetos tinham vida própria (algo como acontece com os fantoches). Assim, a realidade seria algo muito distante do que aqueles homens cativos conheciam como tal. Platão arremata, afirmando que se estes pudessem ter acesso ao lado de fora da caverna e consequentemente à verdade, provavelmente retornariam para o abrigo desta, ofuscados pela realidade. È mais fácil nos acomodarmos no aconchego daquilo que concebemos como real, a ter que colocar em cheque nossas crenças e valores diante do novo.
        Em uma abordagem sociológica poderíamos arriscar que o “efeito Matrix” não é assim tão absurdo. O esforço para alienação popular  também  não cria um “véu” sobre a coletividade impedindo de ver com clareza a realidade?
Recentemente conversava com um conhecido que me disse: “O povo gosta é de festa!”
Eu não discordo, até porque nas festas satisfazemos as nossas necessidades do corpo. E é aí que está: Existe algo mais que não é disponibilizado para a maioria por se encontrar sob o “véu” do “Pão e Circo”!Desviado das preocupações que realmente possam mudar suas vidas, os brasileiros vão "parar" para descobrir quem matou o MAX.
        Os valores são culturais, ou seja, são transmitidos. Se os veículos de comunicação de massa determinam a “festa”, a satisfação do nosso instinto básico, assim seja. A manipulação cultural faz parte da nossa cultura. É como se vivêssemos em um gigantesco teatro de fantoches no qual nossos movimentos fossem orientados por mãos invisíveis para a maioria.
        A cultura que, segundo uma simplificação do Darcy Ribeiro “É tudo aquilo produzido pelo homem.”, se confere a um povo identidade, ao mesmo tempo pode ser utilizada como forma de alienação, criando simulacros tal qual a Matrix, onde as simulações e dissimulações são tão bem elaboradas que suas vítimas não conseguem vislumbrar outra realidade possível. Mas será mesmo que ela existe?

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