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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

No trabalho, na fila do banco, na igreja, no lar, no bar ou na praia.


Durante dias de profundas reflexões, em uma experiência de total contato com sentimentos  tão antagônicos como a coragem, a fé,  os temores e a razão,  transitei pelas verdades dos profetas , pelas sendas do sacrifício cristão, pelos “caminhos do meio” do Buda, pelos ciclos personificados em Brahma,Vishnu e Shiva. Abracei também a Filosofia, da qual preciso para compreender e explicar.
 Quando baixei novamente os meus olhos no plano das realizações horizontais, percebi que o mundo das ideias e contemplações, embora seja um lugar seguro e por vezes necessário, cheio de mistérios encantadores e desafios intelectuais, é também um lugar  repleto de divindades, mas vazio da própria humanidade  que o criou.
Quando por lá estive, sabia que lá permanecia por um pequeno interregno. Um intervalo preciso, apesar da imprecisão das ideias e emoções. Lá confirmei que o sentido da vida é a própria vida, com as suas lutas inglórias, mas repletas de escolhas e de consequencias. Cada um escolhe para a própria vida uma luta qualquer. Para aqueles que não elegeram uma batalha, a vida não faz sentido. É apenas uma sucessão de dias e noites onde se procura substituir construções verdadeiras por prazeres imediatos e efêmeros. Mas sabemos que isso é uma questão cultural...
Agora aqui, escrevendo, pensei em alguns amigos que me cobram leveza. Talvez seja para esses que escrevo. Para os que sabem que, embora eu os sempre faça sorrir vendo graça em tudo, trago o peito carregado de preocupações e responsabilidades.   Gostaria de pedir-lhes que desconsiderem as questões ideológicas. Esqueçam as divergências entre os nossos “ismos” e apenas reflitam: Podereis dizer que o mundo que nos cerca é um grande parque de diversões?  Por mais que tenhamos o necessário para os nossos, nada tendes a dizer diante da carência de muitos? As contradições não vos incomodam?Não gostaríeis de viver em um mundo mais justo?
Um dos meus filhos dorme agora no sofá na minha frente. Além da minha presença em sua vida, quero que ele se orgulhe também de ter tido um pai que pautou a sua vida na tentativa de fazer uma revolução. Uma revolução pequena, simples, atrelada à profissão, coisa de “peão”, de iludido. Quero que diga que seu pai não pode lhe dar tudo, que tinha todos os defeitos do mundo, mas sabia muito bem reconhecê-los e se perdoar.  Que seu pai perdera o medo de assumir seus sonhos, porque a expectativa do outro encarcera o liberdade humana.
Por falar em liberdade, me permitam mais alguns questionamentos: do que vale poder se expressar e nada ter a dizer? Há liberdade na miséria? Há liberdade na cidade sitiada?  Na violência gerada pela ausência do Estado? Não! Não defendo uma ditadura, defendo a democracia verdadeira, na sua concepção mais profunda, como alternativa para um povo que já se acostumou a viver mal e cuja desesperança é alimentada por aqueles  que enriquecem sobre miséria alheia, que custeiam o luxo dos filhos com dinheiro público e que contam com a passividade idiota dos alienados.
Por fim, gostaria de ressaltar a importância que cada um de nós tem na construção da coletividade. Para muito além da caridade material, transformando dor em ação, inércia contemplativa em mobilização, História em experiência e fracasso em aprendizado. No trabalho, na fila do banco, na igreja, no lar, no bar ou na praia. 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Memória da Família e a Família na Memória




            Ao iniciar um ano letivo, sempre procuro saber sobre o local de origem dos meus alunos e dos seus pais. Através dessa prática, procuro compreender a formação da comunidade que circunda a escola para melhor direcionar o trabalho em sala de aula. Nesses anos de magistério descobri que muitos alunos não têm noção das suas origens, sendo que o pouco que sabem não vai além do local de nascimento do pai ou da mãe. Os nomes dos avós ou local de origem destes, quase sempre desconhecem.  
            Essa descontinuidade na história pessoal do indivíduo pode influenciar negativamente na afirmação de alguns sentimentos, como o desejo de pertencimento que origina o nacionalismo e de auto-estima, importante elemento na busca pela cidadania. Não precisamos de muito esforço para perceber que as nossas relações sociais sofreram profundas alterações nos últimos 50 anos.  Considerando as necessidades imperiosas do imediatismo desvalorizamos o passado. E o vazio criado tem sido preenchido com informações massificadas.         
               O sociólogo francês Maurice Halbwachs afirmava que a memória é um fenômeno cultural, ou seja, que a nossa memória individual é um ponto de vista da memória coletiva. Se tudo que é cultural o é por ser transmitido ao longo das gerações, a “falta de memória” que hoje presenciamos na nossa sociedade é também um fenômeno cultural. Afirmava ainda, que o que consideramos relevante lembrar é também uma construção social, subjugando a memória individual à memória coletiva.
          Sendo a memória um fenômeno cultural, a família possui uma grande influência na sua valorização, mas a dificuldade de sobrevivência associada a fatores socioculturais alteram as relações familiares e a sua prática se torna muito difícil. Para piorar a situação, a influência dos avanços tecnológicos no nosso cotidiano tem contribuído para individualizar o ambiente familiar. Hoje muitas famílias passam um fim de semana “juntos”, porém absolutamente separados. Podem dividir o mesmo ambiente, mas não o mesmo assunto ou interesse. Muitas vezes uma falta de energia, de sinal da TV, ou o mau funcionamento da internet, se tornam grandes aliados na recuperação do convívio familiar, condição imprescindível para a conservação da memória da família.
         Pensa a experiência cotidiana e externá-la, promove o autoconhecimento e a compreensão da história individual. Pais que educam através das suas experiências, das suas histórias, sejam elas vitórias ou frustrações, contribuem bastante para o crescimento emocional dos seus filhos, além de iniciar o processo de compreensão do saber histórico ao se colocarem como protagonistas da História. O ideal seria que cada ser humano escrevesse as suas memórias ou que pelo menos se preocupasse em transmiti-las. Não há história que não mereça ser contada. O processo de massificação da informação e de deslocamento das prioridades afetivas que têm caracterizado as sociedades de consumo, diminui cada vez a outrora  básica necessidade de preservação da memória pessoal. Preservar a memória é prepará-la para enfrentar o desgaste do tempo sobre a tradição.  
       Outro sintoma desse distanciamento da memória é a maneira como as gerações recentes têm tratado os idosos. Na sociedade da informação, ser velho é ser ultrapassado. Vez ou outra, quando uma escola deseja resgatar a memória recente de um bairro ou cidade, o idoso é entrevistado, sua memória é registrada e depois transformada pelos alunos em redação ou desenho e acaba aí. Um dia, o filósofo iluminista e músico francês, Jean Jacques Rousseau disse: “Na juventude deve-se acumular o saber. Na velhice fazer uso dele.” Hoje, poucos são os idosos que possuem a oportunidade de exercitar o seu saber, geralmente por falta de ouvintes. No frenesi da evolução tecnológica, o apreço pela memória tem esmorecido e a informação tem sido confundida com conhecimento.
         Considerando o quadro de constante “emergência” em que vivemos, pode parecer utópico e despropositado nos preocuparmos com a preservação da memória familiar. Somos compelidos a adotar os valores da maioria, principalmente se a família, enquanto núcleo primário da construção da identidade, não desempenhar o seu papel ideológico. O posicionamento de cada um diante de tal realidade, dependerá justamente das suas experiências de vida, experiências essas que nos tornam únicos e especiais. E como dizem por aí: “Tudo que é especial merece ser lembrado!”

                                                                                                                                 Rogério Carvalho
Professor de História - Especialista em História do Brasil
Artigo publicado no Jornal Público Alvo- abril de 2011.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

PELA ASSINATURA DO PEDIDO DE URGÊNCIA!!!


ATENÇÃO SERVIDORES. ATENÇÃO CABO FRIO!

                                                      (Banner criado pela Professora Denize)


O PRAZO FINAL PARA A APROVAÇÃO DA LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL EXPIRA EM 30 DE NOVEMBRO . ASSIM SENDO , A ÚNICA MANEIRA DE APROVÁ-LA SERÁ MEDIANTE REQUERIMENTO DE URGÊNCIA! E SABEMOS QUE SE A LOA NÃO FOR VOTADA, ADEUS REAJUSTE DO PLANO DE CARGOS E SALÁRIOS!
COMO NÃO PODEMOS CONTAR COM A BOA VONTADE DOS NOSSOS "NOBRES" EDIS, MESMO QUE VOCÊ NÃO SEJA FUNCIONÁRIO DA PMCF, COMPARTILHE ESSA POSTAGEM! O FUNCIONALISMO MUNICIPAL MERECE RESPEITO! MOBILIZE-SE!

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Psicografado para os cidadãos de Cabo Frio


Psicografia:
Diante da confusão política causada pelo desejo da população o FIM DO MUNDO não acontecerá na data prevista na cidade de Cabo Frio. Esperaremos a decisão do TSE. O evento poderá ser adiado para Janeiro e talvez coincida com  o Cabo Folia(o que para muita gente equivale ao mesmo).
                                                                                                                  Divina Justiça

Se houver nova eleição, lá estará o Cláudio Leitão!

O ex-candidato a prefeito pelo PSOL de Cabo Frio, Cláudio Leitão  acabou de declarar  com entusiasmo no programa POLÍTIKA (Canal 10), que se o TSE decidir a celeuma política da cidade convocando novas eleições, ele concorrerá novamente. Durante quase duas horas Leitão respondeu às perguntas do jornalista Walmor de Freitas, um dos poucos que franquearam a palavra ao candidato(dado o comprometimento da imprensa marrom com o governo local). Com a coragem  e a autenticidade de sempre, o presidente do PSOL falou sobre vários assuntos, desde o planejamento urbanístico da cidade ao despreparo e subserviência política da maioria dos vereadores(passados, presentes e futuros) da cidade ao executivo.
Leitão aproveitou para reiterar que a postura do PSOL continuará a mesma: de posicionamento ao lado da população  e na contramão dos interesses privados dos megainvestidores. Afirmou também, que não acredita que candidato algum seja donos dos votos que recebeu. 
Então, no caso de novas eleições , tudo pode acontecer e aproveitando o ensejo: Nada, nada deve parecer impossível de Mudar!






CICLO DA VIDA:IMPERDÍVEL!!!

domingo, 11 de novembro de 2012

PSOL cresce nas eleições 2012







Aqui na cidade de Cabo Frio muita gente acompanhou a campanha do PSOL que deu ao Cláudio Leitão 5.300 votos ideológicos , 8 vezes mais do que as eleições de 2008.  
Uma das nossas maiores dificuldade foi tornar eficiente uma campanha sem dinheiro para investir em visibilidade. A campanha foi  quase artesanal, mas o desgaste físico e emocional por ela provocado foi recompensado pelo crescimento do partido e pela certeza que tal crescimento se deu sem  promiscuidade politica.
Outra dificuldade enfrentada, foi no aspecto cultural , uma vez que enfrentamos o ceticismo de uma parcela da população, totalmente desacreditada  na política representativa e que por ignorância da postura do PSOL, optou pelo voto útil, anulando assim a sua possibilidade de contribuir para uma verdadeira reforma administrativa na cidade de Cabo Frio. Sem falar nos posicionamentos movidos puramente pelos interesses pessoais via política clientelista empregada de forma muito competente aqui no município. 
De qualquer forma, o que importa é o crescimento que se deu de forma direta evocando a democracia no seu estado profundo, sem o intermédio de subterfúgios políticos e alianças de caráter duvidoso. 
Leia abaixo um artigo sobre o crescimento do PSOL em âmbito nacional.


"O Partido Socialismo e Liberdade cresceu nas eleições municipais de 2012 em relação ao pleito anterior, em 2008. Foram eleitos 49 vereadores e um prefeito. O PSOL ainda disputa o segundo turno em Belém (PA) e Macapá (AP).
O primeiro prefeito pelo PSOL é Gelsimar Gonzaga, eleito com 44,26% na cidade de Itaocara, município do Noroeste Fluminense. Ex-cortador de cana, Gelsimar tornou-se dirigente sindical nos anos 1980 e ajudou na fundação do PT, naquela década, e do PSOL, em 2005. “O objetivo é se tornar exemplo do que o partido pode vir a fazer em outras cidades no futuro. Somos uma cidade pequena, mas é exatamente por isso que podemos nos tornar exemplo de gestão transparente e responsável para todo o país”, afirmou em entrevistas à imprensa.
Na capital Belém, o PSOL participará do segundo turno das eleições. Edmilson Rodrigues obteve 32,58% da preferência do eleitorado e disputará o cargo de prefeito contra Zenaldo Coutinho (PSDB), que obteve 30,67%.
Em Macapá, a disputa acontece entre Clécio Luís, votado por 27,88% do eleitorado, e Roberto Góes (PDT), que conseguiu 40,16% dos votos.
O segundo turno das eleições municipais acontece no dia 28 de outubro.
Para o presidente nacional do PSOL, deputado Ivan Valente, o partido cresceu em relação ao processo municipal de 2008, saiu fortalecido e aos poucos se firma como uma alternativa de esquerda em todo o país. “Estamos satisfeitos com o resultado final do PSOL. Mesmo com 1 minuto na TV, chegamos em primeiro lugar na disputa em Belém, com Edmilson, e vamos para o segundo turno em Macapá, com Clécio, enfrentando um candidato subordinado à ficha suja. No Rio, Marcelo Freixo polarizou o processo com Paes e acabamos elegendo uma bancada igual ao do PT na capital. Sem falar que o PSOL agora se implantou nas Câmaras das principais capitais e de cidades importantes como Campinas e Niterói”.
Câmara de Vereadores
O PSOL elegeu 49 vereadores pelo interior do Brasil e em importantes capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Florianópolis, Salvador, Fortaleza, Natal, Maceió, Goiânia, Belém e Macapá.
Em ordem alfabética por estados, a relação dos eleitos:
AL – Maceió: Heloísa Helena
AL – Maceió: Guilherme Soares
AP – Itaubal: Diene Bulhões
AP – Macapá: André Lima
AP – Macapá: Professor Madeiro
AP – Porto Grande: Professor Glauber
BA – Aurelino Leal: Professor Marcos
BA – Aurelino Leal: Flávia da Cascata
BA – Salvador: Hilton Coelho
CE – Fortaleza: João Alfredo
CE – Fortaleza: Toinha Rocha
GO – Goiânia: Elias Vaz
MA – Pindaré-Mirim: José Victor Magalhães Cruz
MA – Trizidela do Vale: Dalcileno da Silva
MG – Antônio Dias: Japão
MG – Caratinga: Gilson Pena
MG – Santo Antônio do retiro: Diva
MG – Santo Antônio do Retiro: Zé Paquito
MG – São José da Varginha: Nelson Nonato
MG – Sete Lagoas: Ismael Soares
MG – Timóteo: Matinho
PA – Belém: Marinor Brito
PA – Belém: Meg Barros
PA – Belém Fernando Carneiro
PA – Belém: Dr. Chiquinho
PA – Agarapé-Açu: Professor Anderson
PA – Portel: Ronaldo Alves
RJ – Itaocara: Fernando Arcenio
RJ – Niterói: Paulo Eduardo
RJ – Niterói: Renatinho
RJ – Niterói: Henrique Vieira
RJ – Rio de Janeiro: Paulo Pinheiro
RJ – Rio de Janeiro: Eliomar Coelho
RJ – Rio de Janeiro: Renato Cinco
RJ – Rio de Janeiro: Jefferson Moura
RN – Natal: Sandro Pimentel
RN – Natal: Marcos do PSOL
RS – Porto Alegre: Pedro Ruas
RS – Porto Alegre: Fernanda Melchionna
RS – Viamão: Augustão
SC – Florianópolis: Afrânio Boppré
SP – Altinópolis: Zé do Carmo
SP – Campinas: Paulo Bufalo
SP – Capivari: Dr. André
SP – Jardinópolis: Paulo Dentista
SP – Presidente Alves: Eloísa Cabeleireira
SP – São Paulo: Toninho Vespoli
SP – Vinhedo: Rodrigo Paixão
SP – Vinhedo: Valdir Barreto"


Disponível em : http://psol50.org.br/blog/2012/10/10/psol-cresce-nas-eleicoes-2012/

sábado, 3 de novembro de 2012

Não consegui dar aula. Então me calei para escutar!


Nessa semana senti a necessidade de ouvir os alunos de uma turma da  6ª fase da EJA do Leaquim. Nada de História oficial. 
Para incentivá-los, ofereci 01ponto para que me dissessem por que estavam ali,citando o passado e sos planos para  o futuro.Os mais velhos contataram as suas histórias de vida fazendo com que o caos de costume desaparecesse. Muito estavam  sem estudar há décadas:Trabalho, filhos na juventude, pais intolerantes, a velha história, que pode se tornar a história dos jovens alunos que ali estavam escutando. Muitos apenas pela bolsa família se fazem presentes.Não acreditam mais na escola. Assim como alguns colegas professores, compartilham seu descrédito na sala de aula.
Um aluno afirmou que tenta, mas não consegue prestar atenção. Tem 16 anos é tido como indisciplinado debochado e viciado. Se estivesse em uma escola particular já teria um laudo e  sua rebeldia diante do fracasso escolar, compreendida e perdoada.Saí da sala emocionado com a profundidade das coisas que eu ouvi .Preocupado com as responsabilidades e as expectativas que ainda rondam o professor. Saí, sobretudo, indignado com a corrupção do sistema educacional e a cumplicidade de tantos pais de outras gerações, que se aliaram silenciosamente ao "Não tem jeito não !" que hoje eu presencio e lamento.

Preparando-se para o ENEM

http://educacao.uol.com.br/noticias/2012/11/01/enem-baixe-guia-com-dicas-para-se-preparar-para-o-dia-da-prova.htm

Para nos ajudar: Só Jesus e um caminhão de "ADEVOGADOS!"


Na sanha por dinheiro fácil, cabofrienses caem no conto do vigário, ops, do pastor!


http://g1.globo.com/rj/serra-lagos-norte/bom-dia-rio/videos/t/edicoes/v/30-pessoas-registram-ocorrencia-na-delegacia-de-cabo-frio-reclamando-de-golpe-em-internet/2221452/

Um olhar sociológico sobre Búzios


Lidar com a Educação em Búzios é uma experiência fascinante.Como professor de História, me perco entre conjecturas e verdades relativas a cerca do cotidiano buziano.
A vocação turística do município produz um quadro social riquíssimo em elementos que dialogam e contrastam entre si, conferindo ao lugar um exotismo social ímpar. A exposição direta dos moradores de Búzios às “emanações” culturais de várias partes do Brasil e do mundo, promove o encontro constante e inusitado entre realidades diversas, onde a tradição e o deslocamento identitário atuam intensamente.
Mas e a cultura local ? E o seu pano de fundo nacional que nos identifica enquanto povo? Como se insere neste contexto? De acordo com o teórico cultural Stuart Hall “À medida que as culturais nacionais tornam-se mais expostas a influências externas, é difícil conservar as identidades culturais intactas ou impedir que elas se tornem enfraquecidas através do bombardeamento e da infiltração cultural”(Hall, 1996). Assim sendo, diante da nossa estrutural tendência ao estrangeirismo, é compreensível que os elementos culturais exógenos sejam facilmente assimilados. Contudo devemos considerar, para não incorrer em erro, que tal assimilação varia de acordo com a localização social do indivíduo; não por capacidade cognitiva, mas por uma questão de identificação de valores e até mesmo de consumo.
De acordo com Lacan, a nossa identidade é formada ao longo dos anos, resultando da nossa convivência com o meio em que estamos inseridos. A partir daí podemos esperar que identidade cultural, que seria o resultado da intercomunicação dos valores individuais compartilhados, também possua esta flexibilidade.
O deslocamento da identidade buziana tradiconal, entendendo-a como aquela subordinada unicamente ao contexto brasileiro, tem produzido fenômenos sociais interessantes no ideário local. Diante do “novo”, que chega a Búzios, seja através do turismo/migração, seja através da mídia, a população local apresenta comportamentos antagônicos, porém previsíveis pelos teóricos que estudam a concepção de “aldeia global” a partir da qual percebem o planeta.
Podemos perceber que as reações variam entre a aceitação passiva/irreflexiva e a organização de entidades de resgate e defesa das minorias bem como das tradições culturais nacionais. A previsibilidade de tais reflexos, justifica-se pelos interesses pessoais ou dos grupos sociais locais. A preservação, o esquecimento ou a convivência dos elementos culturais distintos é uma questão política, mas não de política partidária e sim daquela concepção de política que a torna inerente a todas as relações humanas.
Não podemos deixar de considerar a força da presença da mídia enquanto agente formador cultural de opinião, ditando regras comportamentais aos desavisados, solapando as resistências, destruindo e reconstruindo verdades que aceitamos de bom grado, muitas vezes gratos, por termos quem pense por nós. No processo de preservação da memória, a mídia ocupa uma posição de destaque pelo seu poder de alcance, no entanto, caso seja o seu objetivo, seu poder desagregador também pode ser descomunal.
Com certeza todo processo de preservação cultural serpenteia por entre as instituições civis cada qual com as suas especificidades e contribuições para a construção de um legado futuro daquilo que chamamos respeitosamente de passado. Neste quadro a escola merece destaque, uma vez que é um mecanismo de reprodução (quiçá de produção) ideológica de grande poder de persuasão, embora sua eficácia esteja relacionada à formação profissional e pessoal dos seus agentes. De qualquer modo, a extensão da abordagem da história local em consonância com os PCNs, é fundamental para que possamos pensar a escola como um pólo difusor de cidadania, principalmente na Armação dos Búzios, para que de posse da nossa identidade cultural, possamos pensar na construção dos nossos “citizens of the world”.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Uma candidatura em poucas palavras


Essa mania de pensar sobre tudo, eu sei, me torna uma pessoa enfadonha , no entanto , não consegui resistir à tentação de compartilhar a experiência que vivi como candidato a vereador  pelo PSOL em Cabo Frio.
Desde que fui recebido pelo partido, passei a admirar disposição dos companheiros diante do quadro político local. O assédio dos candidatos poderosos, que tinham certeza que a liderança do PSOL se curvaria diante das promessas de boquinha assustaram. Mas dizem que na política isso é normal. Normal nada! É normose! É doença da normalidade. Por outro lado, o firme posicionamento do Cláudio, conquistou a minha confiança. E o caráter das propostas do partido, profundamente identificado com as minhas, a minha militância.



Na fase de pré-candidatura, quando falava da minha pretensão de ser candidato, muitos reagiram dizendo que eu não tinha dinheiro. Que eu não teria a menor chance e que eu não conseguiria, nem cinquenta votos. Muitos colegas, detentores de portarias e outras bocadas se afastaram e a minha presença os constrangia.  Eu entendo, não se pode cobrar ideologia e nem impor suas verdades a ninguém. Além do mais, eu sempre disse aos mais próximos que a minha candidatura tinha um caráter didático. E guardo a certeza de que foi, tanto pra mim, quanto para os outros.
Durante esse ano eu aprendi de forma contundente o preço da fidelidade aos ideais. Tive que segurar meu ímpeto contestador diante dos colegas que se recusaram silenciosamente a colocar meu adesivo, simplesmente para não melindrar os “poderosos” e inviabilizar futuras bocadas. E precisei compreender aqueles que não puderam colocar uma das placas que mandei fazer porque precisavam do dinheiro que outros candidatos ofereceram para colocar as suas. Ainda sobre os esclarecidos acomodados e os esclarecidos necessitados, afirmo, com os ânimos pacificados que os primeiros, hoje, merecem o meu resguardo e os segundos, a continuação da minha luta para libertá-los desse estado de dependência criado com a cumplicidade dos primeiros. Quem toma partido conquista adversários, mas quem se anula vive sem honra,vagando inebriado pelas suas ambições horizontais. Os conscientes sabem que os candidatos ligados à máquina, tanto prefeitos como vereadores, não poderão legislar para o povo porque possuem o rabo preso. Assim sendo, mesmo cientes da sua responsabilidade cidadã, se colocaram ao lado dos candidatos da máquina. Por que? Porque almejavam manter ou conseguir vantagens pessoais. Desprezível atitude, mas justificada pela cultura do “quero me dar bem” transmitida geração após geração.
No dia das eleições, como não contávamos com gente suficiente para constituirmos fiscais de partido, circulamos pela cidade na companhia do candidato a prefeito Cláudio Leitão. Foi uma lição prática do nível de ignorância da população no que tange à importância daquele momento. Na periferia, fomos abordados por pessoas que se diziam indecisas e logo em seguida ofereciam seus votos em troca de dinheiro. Foi lamentável presenciar na prática a tão conhecida alienação e miséria moral da população. Nos esquivávamos de todas as maneiras desse tipo de assédio, sendo forçados inclusive, a deixarmos rapidamente alguns bairros.
Se por um lado muita gente próxima, não me apoiou, por outro recebi o apoio de pessoas com as quais eu nunca imaginei contar. E não falo de dinheiro, mas sim de disponibilidade para ajudar a compartilhar nossos ideias, de apoio moral e da declaração do voto.
Saio dessa candidatura surpreso com o forte apelo que ela teve diante dos mais esclarecidos e convencido de que o trabalho de saneamento da concepção política das camadas populares é uma tarefa hercúlea e ingrata dado o grau de pobreza da maioria e pelo fato de que muitos dela se beneficiam.
Gostaria de explicitar a minha surpresa ao presenciar candidatos derrotados dando entrevista e deixando transparecer uma ponta de indignação por não terem sido eleitos mesmo depois de terem implementado “projetos sociais”. E mais: culpando a compra de votos no dia das eleições por suas derrotas. Ora meus amigos, “ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”. Tanto o assistencialismo, quando a compra direta de votos,são formas de oprimir o eleitorado. Mas como gosta de dizer a minha esposa: “Só existe opressor, porque o oprimido permite.” E no caso em questão, não só permitem como também confirmam. Por fim, gostaria de dizer aos opressores e aos seus cúmplices que estamos aqui, de pé e dispostos aos enfretamentos necessários.  E aos oprimidos, que ainda acreditamos com todas as forças que “nada, nada deve parecer natural e impossível de mudar.”


Um olhar sociológico sobre o SUS




  Desde a criação do Ministério da Saúde e Educação em 1930 até 1988, somente os trabalhadores com carteira assinada tinham direito à assistência médica. A democratização do acesso à saúde data da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988, quando a saúde passou a ser um “direito de todos e um dever do Estado”. Nascia o Sistema único de Saúde.
Inspirado nos modelos da medicina social de alguns países europeus como a França e a Inglaterra, o SUS tem como princípios básicos a integralidade, a equidade e a universalidade. Seria universal, ao garantir a todos o acesso aos seus serviços. Igualitário ao primar pela igualdade de condições de tratamento dos seus usuários. E por fim, integral, ao abranger medidas de prevenção, atendimento e internação. Acontece que na cultura do clientelismo brasileiro, onde as leis são contextuais (depende do contexto) e não contratuais (vale o que está escrito), a realidade é outra. Por que? Porque embora ouçamos falar em Políticas Públicas de Saúde, estas se encontram vinculadas a uma prática comum na nossa sociedade: o patrimonialismo.


   De acordo com o sociólogo Bernard Sorj(2001), patrimonialismo é o controle de determinado segmento da esfera pública por grupos privados organizados que manipulam a máquina estatal em prol dos seus interesses. Teoria da conspiração? Não. Experiência consciente e elucidativa nas baixas camadas da sociedade.
A idealização do SUS previa também uma divisão de responsabilidades entre os poderes públicos e uma aproximação gestão/usuário que não acontecem. Além disso, temos gestores  profissionais de outras áreas e usuários incapazes de exercerem o papel que lhes cabe no tão necessário controle social. O conselho de saúde está aí, mas e nós enquanto razão de ser do Estado , estamos? Esta análise nos remete ao músico e filósofo iluminista Jean Jacques Rousseau que ao nos legar sua concepção do Contrato Social,  afirma que este surge da associação e não da submissão dos homens. Para pensador o papel do estado é zelar pelo bem comum, o que coloca o homem como um beneficiário do Estado.
Hoje em dia corremos risco de parecermos utópicos ao evocamos a participação da sociedade, mesmo quando o que está em jogo é a dignidade da mesma. No desfiar das queixas sem eco que compõem o cotidiano, somos compelidos ao senso comum, à falta de fé, ao conformismo e ao deslocamento da culpa para o governo e suas leis que, teoricamente, são a manifestação da nossa vontade.  E enquanto alguns pagam duas vezes pelos direitos que têm, cá estamos nós alimentando os nossos Planos: de uma real democracia e de não adoecer.
                                                                                                        
                

Inspirado pelo assassinato do MAX: Matrix e a Alienação


      
       A história do hacker Neo que descobre o mundo ao seu redor como uma ilusão criada por computador, combina elementos cristãos, budistas e passeia por várias concepções filosóficas desde Platão (Mito da Caverna) a Descartes(Questionamento sobre  realidade). Dá pra sentir a força do argumento do filme, afinal não é pouca coisa que mexe com o ceticismo da comunidade científica. Já imaginaram o golpe na vaidade humana ao descobrir que tudo o que nos cerca, desde a descoberta do fogo aos grandes impérios, não passa de um programa criado por um webmaster qualquer, brincando de Deus?    
        Por mais improvável que possa parecer, tal possibilidade encontra argumento favorável em Platão e seu Mito da Caverna. Durante um diálogo Platão compara a nossa percepção da realidade a de homens que se encontrariam no interior de uma caverna, de costas para a entrada. Incapazes de se mover, tudo que estes homens conheciam do mundo, eram sombras projetadas por uma luz externa no interior da caverna. Essas sombras (pra complicar) eram de objetos que homens carregavam por detrás de um muro, que ficava entre a entrada da caverna e a luz que produzia essas sombras. Se os homens falavam, os habitantes da caverna teriam a impressão de que os objetos tinham vida própria (algo como acontece com os fantoches). Assim, a realidade seria algo muito distante do que aqueles homens cativos conheciam como tal. Platão arremata, afirmando que se estes pudessem ter acesso ao lado de fora da caverna e consequentemente à verdade, provavelmente retornariam para o abrigo desta, ofuscados pela realidade. È mais fácil nos acomodarmos no aconchego daquilo que concebemos como real, a ter que colocar em cheque nossas crenças e valores diante do novo.
        Em uma abordagem sociológica poderíamos arriscar que o “efeito Matrix” não é assim tão absurdo. O esforço para alienação popular  também  não cria um “véu” sobre a coletividade impedindo de ver com clareza a realidade?
Recentemente conversava com um conhecido que me disse: “O povo gosta é de festa!”
Eu não discordo, até porque nas festas satisfazemos as nossas necessidades do corpo. E é aí que está: Existe algo mais que não é disponibilizado para a maioria por se encontrar sob o “véu” do “Pão e Circo”!Desviado das preocupações que realmente possam mudar suas vidas, os brasileiros vão "parar" para descobrir quem matou o MAX.
        Os valores são culturais, ou seja, são transmitidos. Se os veículos de comunicação de massa determinam a “festa”, a satisfação do nosso instinto básico, assim seja. A manipulação cultural faz parte da nossa cultura. É como se vivêssemos em um gigantesco teatro de fantoches no qual nossos movimentos fossem orientados por mãos invisíveis para a maioria.
        A cultura que, segundo uma simplificação do Darcy Ribeiro “É tudo aquilo produzido pelo homem.”, se confere a um povo identidade, ao mesmo tempo pode ser utilizada como forma de alienação, criando simulacros tal qual a Matrix, onde as simulações e dissimulações são tão bem elaboradas que suas vítimas não conseguem vislumbrar outra realidade possível. Mas será mesmo que ela existe?

Manifesto Pela Democracia Musical








      Muitos artistas de Cabo Frio precisam procurar os municípios vizinhos, que possuem programas culturais abrangentes e que visam contemplar as diversas tribos urbanas, tanto para apreciar, como para apresentar o gênero musical que lhes agrada.
    Sabemos que não é possível agradar a todos, no entanto, entendemos que as políticas culturais locais têm privilegiado determinados estilos em detrimento de outros como, por exemplo, o Rock and Roll em todas as suas variações.
     De acordo com o art. 215º da Constituição Federal, garantir “a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, apoiar e incentivar a valorização e a difusão das manifestações culturais” é um dever do Estado. A cada dia novas bandas surgem, mas a dificuldade em se apresentar abrevia a sua existência comprometendo, limitando e cerceando o entretenimento de um segmento da sociedade que cresce, mas que continua praticamente invisível aos olhos do poder público local. Está na hora de repensar as políticas públicas culturais da cidade de Cabo Frio. Está na hora de ouvir a juventude e atender seu desejo e necessidade de manifestação cultural.
 Sabemos que as necessidades culturais não são as mais urgentes em um país onde a corrupção, a falência da educação e a fome ilustram o cotidiano. No entanto, é pelo desejo de justiça, que ofereço este manifesto a todos aqueles que nos procuram e declaram sua insatisfação.  Desejamos a democratização do acesso aos meios públicos de expressão artística.

O Politicamante correto e a sua política de desconstrução




                O teórico cultural Stuart Hall tem estudado o que chama de descentramentos identitários provocados pela globalização. Baseado em outros teóricos como David Harvey e Antony Giddens, ele avalia os danos causados pela diminuição das distâncias culturais promovidas pelo desenvolvimento dos meios de comunicação e de transportes.
            Os argumentos de Hall são facilmente comprovados a partir de uma superficial observação no nosso cotidiano caracterizado pela efemeridade estrutural das nossas ideias e relações, sem falar da crescente influência da cultura estrangeira, verdade incontestável e inexorável do nosso “estrangeirístico” cotidiano. Até aí tudo bem, podemos justificar tal tendência como um ditame das imperiosas necessidades do capitalismo. Uma “novidade” sempre presente na cultura brasileira, legitimada pela mídia e pelos grupos que dela extraem e exercem poder.   Mas um tipo curioso de desconstrução identitária vem ocorrendo por conta da onda do politicamente correto: trata-se da alteração de elementos culturais por conta da formação de uma geração politicamente correta.
           As crianças hoje não cantam mais “O Cravo brigou com a Rosa”, para não mais fazer apologia à violência contra a mulher (o que poderia levar o cravo a ser enquadrado na Lei Maria da Penha), assim como também não mais cantam “Atirei o Pau no Gato”, para não incentivar a violência contra os animais, nem o “Sou Pobre, pobre ,pobre....” para que não seja exaltada a patente desigualdade social entre os homens. Ridículo, se pensarmos que a nossa geração cresceu assistindo a perversidade do Pica-pau, a infindável violência entre o Tom e o Jerry e seguimos com as deliciosas desventuras humanas no seriado Os Simpsons!
         No fim do ano passado meu filho representou na escola o deus grego Ares, Marte para os romanos e senhor da guerra. Providenciamos a fantasia: um elmo, um colete e uma espada de plástico. A espada foi vetada! Armas não!  Mas no canal Disney XD, a pistola NERF, que atira dardos é a nova sensação entre a garotada. Por falar em crianças, algumas continuam vendendo bala no sinal, diante da omissão das autoridades, que com certeza argumentam para os seus filhos que isso acontece por culpa dos próprios, uma vez que diante da lei todos somos iguais e trazemos a constitucional igualdade de direitos e oportunidades.
       A onda do politicamente correto ignora a tradição sob o véu do modismo e faz vista grossa no cenário de desconstrução identitária. Elementos folclóricos como o Saci e a Mula sem cabeça, estão praticamente fora de algumas escolas graças ao processo de evangelização do ensino , que os consideram “coisas do Capeta”, no entanto em outubro muitas escolas festejam o Halloween  promovendo a ideia de que algo se torna legítimo pelo seu potencial comercial.
      Existe festividade mais excludente que o Natal? “...como é que o Papai Noel, não se esquece de ninguém....”. Seu significado religioso, por muitos é relegado a um segundo plano , isso quando é considerado.
    Quem idealiza o que é politicamente correto? O senso comum!O que é o senso comum? Uma construção cultural! Quem manipula a cultura? A mídia! Quem é a mídia? Um grupo de pessoas que vivem e pensam de maneira diferente da maioria da população. Pessoas que possuem um olhar voltado para as tendências, para propagar tendências. Alquimistas culturais cujo experimento é reordenação dos valores para atender ao mercado e que ao longo da sua experiência testam incessantemente a sua capacidade de persuasão.
      Não podemos mais ignorar as transformações culturais desse fenômeno que alguns teóricos culturais chamam de Pós-modernidade. Não podemos também negar as benesses da globalização cultural que vivenciamos, mas a preservação dos nossos valores, sejam eles individuais, locais, regionais ou nacionais, é uma tarefa pessoal que não deve sofrer  passivamente a influência dessas “experimentos culturais“  que nos são impostos, sob  pena de perdermos a nossa  já combalida identidade cultural.
Bom , agora preciso ir . Vou comprar uma pistola de água para o meu filho.
    
             

PROFESSOR ALIENADO, PROFISSIONAL DESVALORIZADO




Todos os dias nos lamentamos do pesado fardo imposto à nossa profissão. A pesada carga horária, os baixos salários, a difícil tarefa de fazer compreender o porquê estarmos ali, as precárias condições de trabalho, a falta de estrutura, etc. Procuramos culpados, selecionamos pessoas físicas, jurídicas e culpamos o sistema. A culpa é do SISTEMA!
Acontece que estamos inseridos no sistema. Na verdade somos a maior parte dele. Somos a base do sistema! Assim sendo, se nos balançarmos juntos, talvez possamos abalar sua estrutura!
É muito conveniente esperarmos a chegada de um messias mítico institucional que um dia irá nos livrar do pecado da escolha, da subserviência e da falta de fé em nós mesmos. Não adianta nos filiarmos a sindicatos e esperar que ele resolva. Sem a nossa participação ele é inútil.Profissionais de pouca fé, por que duvidastes?
Por que não crermos no poder que temos? Por que nos calarmos diante das imposições políticas se elas são efêmeras, sabemos nós, diante da perenidade que uma postura coerente com uma fala convincente pode representar?
A marca que a nossa imagem pode imprimir é duradoura. Uma palavra pode traçar e alterar rumos. Temos o poder, mas não sabemos usá-lo. Sabemos algumas coisas, outras não ousamos vislumbrar; o SISTEMA não deixa. Mas existe algo que nos é permitido ver: Onde há professor alienado, existe um profissional desvalorizado!

Para os meus filhos




Todo mundo um dia já  sonhou ser um super-herói. Poder voar como o Super-homem, ser veloz tal qual o The Flash, ter a superforça do Incrível Hulk ou as habilidades do Homem Aranha. Toda criança sonha! Sonha os sonhos de criança e é assim que tem que ser. O papai e a mamãe também sonham com os poderes dos seus filhos, por isso lhes dão nomes de reis e rainhas, príncipes, princesas ou de pessoas que fizeram coisas importantes na História.
Eu quero dizer para vocês que nós sempre acreditamos em suas capacidades.
A vida é assim, divertida, mas cheia de desafios, como nas histórias em quadrinhos. Após cada obstáculo superado, nos tornamos mais fortes e experientes, aprendendo a usar melhor nossos superpoderes do mundo real.
Muitas vezes, nossos poderes ficam escondidos como os do Will Stronghold da Escola de Super-Heróis, que não sabia a força que possuía e por isso se sentia pior do que os outros. Ao longo da vida vocês descobrirão os poderes que estão dentro de vocês. Descobrirão que podem voar através da imaginação para qualquer lugar e que todo ser humano é aquilo que pensa ser!Descobrirão também que a riqueza verdadeira não é poder ter tudo o que quer, mas dar valor a tudo o que tem.
Enfim, meus filhos queridos, acreditem sempre em vocês!
Desejo que ao longo da vida vocês possam desenvolver o maior poder que um ser humano pode ter: o poder de ser feliz!
                                                                                 

Você é Feliz?







       Muitos pensadores se dedicaram a explicar a felicidade, cada qual utilizando as lentes que o contexto de suas épocas lhes possibilitou. Longe do mundo das conjecturas e num plano mais próximo da nossa existência cotidiana, carregada muito mais de vivências do que de reflexões, aqui estamos nós sem nenhuma pretensão filosófica, em uma pausa nessa realidade frenética a nos perguntarmos: O que é a felicidade?
      O filósofo grego Platão afirmou que a felicidade é o objetivo da existência humana.  Para o seu discípulo Aristóteles ( Ética a Nicômaco) feliz é aquele que é virtuoso e que pratica o bem.  Da antiguidade para a modernidade, diz Rousseau que a felicidade não é fazer sempre o que se quer, mas não fazer o que não se quer.
        As religiões também especulam sobre a felicidade.  Algumas pregam que a felicidade não é deste mundo, outras prometem alívio imediato para  todo tipo de sofrimento humano.  Por falar em sofrimento, o budismo afirma que este é causado pelo desejo, o que nos leva a pensar que desejar dói. Mas se não fosse o desejo, teria a humanidade chegado onde chegou?  Mesmo diante de todos os efeitos e defeitos ecológicos, éticos e morais que protagonizamos, devemos reconhecer que a aventura humana no planeta e a sua evolução, da ferramenta de lasca de pedra ao notebook no qual digito estas palavras, foi um feito notável de um organismo movido pelo desejo, unicamente pelo desejo. Então podemos afirmar que o desejo move o mundo, pelo menos o desejo de ser feliz.
           Nessa relação felicidade/desejo, temos uma perspectiva interessante: se a felicidade é alcançada geralmente através da satisfação do desejo, a felicidade plena é inatingível, uma vez que sempre queremos mais. Mas se o desejo provoca a felicidade, a ausência da felicidade também inibe o desejo. A manifestação mais contundente da falta de felicidade se caracteriza justamente pela ausência do desejo. O deprimido nada deseja ou muito pouco quer.
           Na nossa sociedade estamos sempre buscando a felicidade, não aquela concebida por Platão e Aristóteles, mas sim esta atrelada à satisfação imediata dos nossos desejos. O marketing da felicidade na nossa sociedade é tão forte que acreditamos ter a obrigação de sermos felizes o tempo todo, o que nos causa uma grande ansiedade e nos leva a buscarmos insanamente tal estado de espírito. Tem gente que busca este estado nas compras, outros, nas drogas, alguns na esperança de serem amados por aqueles que amam, também temos os que almejam o sucesso para que possam ser felizes na sociedade que exalta e venera os vencedores. Enfim, a felicidade é buscada em tantos horizontes, quantos são aqueles que a buscam. Estamos desse modo, transferindo a responsabilidade sobre esta sensação para fora de nós, quando na verdade, ela é uma conquista interna, pessoal e intransferível.
          Há alguns anos um li um artigo e guardei a revista diante da impossibilidade de memorizar o nome do pesquisador Mihaly Csikszentmihalyi da Universidade de Chicago. De acordo com testes realizados por Mihaly, as pessoas que trabalham com o que gostam são capazes de atingir um nível quase perfeito de alegria que se mantém por um tempo relativamente longo. Tal sensação também se manifesta nos monges budistas em estado de meditação, prática que ativa o córtex pré-frontal esquerdo, levando a um melhor funcionamento do organismo e melhorando inclusive o sistema imunológico. Resultados semelhantes foram verificados nos cérebros de pessoas que fazem o bem semanalmente com trabalhos voluntários em asilos, orfanatos e instituições de caridade (o Brasil deve ser um bom lugar para se buscar a felcicidade). O mesmo artigo menciona o psicólogo Martin Seligman que indica três fontes para se alcançar a felicidade: prazer, engajamento e significado. De acordo com o estudo do Dr. Seligman, podemos supor que: feliz de verdade é quem consegue reunir estes três elementos ou pelo menos manter um “rodízio” destes, uma vez que o prazer, seja ele qual for, é efêmero, o engajamento se desgasta e o significado só perdura enquanto existir o significante, que como tudo, é finito. Se bem que o mestre Tom Jobim um dia cantou: “Tristeza não tem fim, felicidade sim.”
          Bom, já que a felicidade é mesmo efêmera pela própria condição humana e chega sempre para a grande maioria como intervalos de sol em um dia chuvoso, busquemos o equilíbrio, o caminho do meio, o “Conheça-te a ti mesmo” e sigamos evoluindo. Talvez um mundo de felicidade plena significasse o travamento evolutivo da humanidade, onde nossos sorrisos constantes amarelariam em um cotidiano enfadonho cheio de desejos satisfeitos. E na falta de um contraponto nós nunca saberíamos o que significa ser ou estar feliz.
No entanto, para os casos de emergência, aí estão os antidepressivos, o altruísmo e a fé.

                                                               
                                                               @profrogerio50

A Memória da Família e a Família na Memória




            Ao iniciar um ano letivo, sempre procuro saber sobre o local de origem dos meus alunos e dos seus pais. Através dessa prática, procuro compreender a formação da comunidade que circunda a escola para melhor direcionar o trabalho em sala de aula. Nesses anos de magistério descobri que muitos alunos não têm noção das suas origens, sendo que o pouco que sabem não vai além do local de nascimento do pai ou da mãe. Os nomes dos avós ou local de origem destes, quase sempre desconhecem.  
            Essa descontinuidade na história pessoal do indivíduo pode influenciar negativamente na afirmação de alguns sentimentos, como o desejo de pertencimento que origina o nacionalismo e de auto-estima, importante elemento na busca pela cidadania. Não precisamos de muito esforço para perceber que as nossas relações sociais sofreram profundas alterações nos últimos 50 anos.  Considerando as necessidades imperiosas do imediatismo desvalorizamos o passado. E o vazio criado tem sido preenchido com informações massificadas.         
               O sociólogo francês Maurice Halbwachs afirmava que a memória é um fenômeno cultural, ou seja, que a nossa memória individual é um ponto de vista da memória coletiva. Se tudo que é cultural o é por ser transmitido ao longo das gerações, a “falta de memória” que hoje presenciamos na nossa sociedade é também um fenômeno cultural. Afirmava ainda, que o que consideramos relevante lembrar é também uma construção social, subjugando a memória individual à memória coletiva.
          Sendo a memória um fenômeno cultural, a família possui uma grande influência na sua valorização, mas a dificuldade de sobrevivência associada a fatores socioculturais alteram as relações familiares e a sua prática se torna muito difícil. Para piorar a situação, a influência dos avanços tecnológicos no nosso cotidiano tem contribuído para individualizar o ambiente familiar. Hoje muitas famílias passam um fim de semana “juntos”, porém absolutamente separados. Podem dividir o mesmo ambiente, mas não o mesmo assunto ou interesse. Muitas vezes uma falta de energia, de sinal da TV, ou o mau funcionamento da internet, se tornam grandes aliados na recuperação do convívio familiar, condição imprescindível para a conservação da memória da família.





         Pensar a experiência cotidiana e externá-la, promove o autoconhecimento e a compreensão da história individual. Pais que educam através das suas experiências, das suas histórias, sejam elas vitórias ou frustrações, contribuem bastante para o crescimento emocional dos seus filhos, além de iniciar o processo de compreensão do saber histórico ao se colocarem como protagonistas da História. O ideal seria que cada ser humano escrevesse as suas memórias ou que pelo menos se preocupasse em transmiti-las. Não há história que não mereça ser contada. O processo de massificação da informação e de deslocamento das prioridades afetivas que têm caracterizado as sociedades de consumo, diminui cada vez a outrora  básica necessidade de preservação da memória pessoal. Preservar a memória é prepará-la para enfrentar o desgaste do tempo sobre a tradição.  
       Outro sintoma desse distanciamento da memória é a maneira como as gerações recentes têm tratado os idosos. Na sociedade da informação, ser velho é ser ultrapassado. Vez ou outra, quando uma escola deseja resgatar a memória recente de um bairro ou cidade, o idoso é entrevistado, sua memória é registrada e depois transformada pelos alunos em redação ou desenho e acaba aí. Um dia, o filósofo iluminista e músico francês, Jean Jacques Rousseau disse: “Na juventude deve-se acumular o saber. Na velhice fazer uso dele.” Hoje, poucos são os idosos que possuem a oportunidade de exercitar o seu saber, geralmente por falta de ouvintes. No frenesi da evolução tecnológica, o apreço pela memória tem esmorecido e a informação tem sido confundida com conhecimento.
         Considerando o quadro de constante “emergência” em que vivemos, pode parecer utópico e despropositado nos preocuparmos com a preservação da memória familiar. Somos compelidos a adotar os valores da maioria, principalmente se a família, enquanto núcleo primário da construção da identidade, não desempenhar o seu papel ideológico. O posicionamento de cada um diante de tal realidade, dependerá justamente das suas experiências de vida, experiências essas que nos tornam únicos e especiais. E como dizem por aí: “Tudo que é especial merece ser lembrado!”

                                                                                                   Rogério Carvalho
Professor de História - Especialista em História do Brasil
Artigo publicado no Jornal Público Alvo- abril de 2011.




Laguna de Araruama: história de vida e renovação
            A história da relação entre a Lagoa de Araruama e os seres humanos data de cerca de 6.000 anos, quando os primeiros grupos humanos aqui chegaram, se estabelecendo nas suas proximidades por períodos relativamente curtos. Tem início a ação antrópica (ação do homem sobre o meio através das tecnologias disponíveis) nas margens laguna. Como os primeiros grupos humanos eram formados por poucos indivíduos, a intervenção humana era muito limitada, quase não se fazendo sentir, não fosse a formação dos sambaquis a partir dos restos alimentares e sedimentos naturais que se acumularam ao longo do tempo. Estes caçadores e coletores se beneficiaram da abundante bioma da região, embora não possuíssem condições de explorá-la em toda a sua potencialidade. Somente mais tarde, com a chegada dos tupinambás acerca de 1500 anos atrás, o entorno da laguna passou a sofrer uma maior influência humana, visto que esses índios possuíam um amplo conhecimento do ecossistema local, sobretudo da laguna, ampliando o processo de exploração. Ainda assim, o convívio entre os indivíduos e a natureza local se pautava em uma relação de harmonia, até porque o seu esforço produtivo destinava-se à satisfação das necessidades imediatas do grupo o que limitava o seu intuito predatório.
       
       Com a chegada dos europeus no séc. XVI, a transformação da paisagem local se intensificou, principalmente pela extração do pau-brasil. Nessa época, a laguna também foi utilizada pelos portugueses como acesso e via de escoamento dos produtos retirados do seu entorno.  A grande capacidade de produção natural de sal da Lagoa de Araruama, levou Portugal a proibir o consumo do sal local, numa imposição do monopólio do sal português na colônia Brasil. Mais tarde , no início do século XIX, o monopólio português sobre a produção de sal foi extinto e a atividade salineira alteraria sistematicamente o entorno da laguna.  A Lagoa de Araruama sempre desempenhou um papel primordial na ocupação e sustento da região .
         Durante o séc. XX, com o crescimento desordenado das cidades que banha, a laguna teve o seu equilíbrio natural  violentamente abalado pela poluição gerada pelo constante aumento populacional nas suas margens. O lançamento de esgoto in natura foi a mais contundente ação humana sobre a maior laguna hipersalina do mundo, contribuindo para a diminuição da salinidade da água e favorecendo o surgimento de micro-organismos que acabam com a transparência da água.  A poluição também limitou a pródiga oferta dos frutos lacrustes, seja pelas periódicas mortandades, ou pela natural evasão das espécies, prejudicando as famílias que deles retiram o seu sustento.
           Os esforços do poder público para a recuperação da laguna têm contribuído para a sua revitalização. A dragagem das áreas assoreadas tanto na laguna, quanto no Canal do Itajuraumentou o fluxo das correntes reduzindo o tempo de renovação da água. A reordenação de redes de esgoto, a construção de elevatórias e estações de tratamento reduziram significativamente a nociva ação do esgoto sobre a laguna, mas a conscientização da população, sobretudo das nova gerações, é muito importante para o processo de revitalização . Quem tem acesso cotidiano às suas margens se surpreende com a quantidade e a variedade de lixo que ali se acumula trazido pelas correntes ou jogado diretamente no local. De lâminas de barbear a sofás, de garrafas PET a computadores. De tudo se encontra.
           Livrar a Lagoa de Araruama do contato com os seres humanos está obviamente fora de questão, mas repensar a qualidade desse convívio é muito importante. As milhares de famílias que dela retiram o seu sustento deveriam ser as mais interessadas em promover a sua preservação. A pesca predatória, com redes de malhas desnecessariamente finas ou na época do defeso continua acontecendo, mesmo diante do pagamento da “ajuda de defeso” pelo governo aos pescadores cadastrados. Por isso, juntamente com as obras de revitalização faz-se necessária a adoção de medidas educacionais de conscientização, trazendo para a comunidade o controle informal, porém cotidiano, do gerenciamento da preservação da laguna.
           Na história presente da relação homem/Lagoa de Araruama, falta-nos atribuir a esta última, uma quintessência, um ânima, que lhe elevaria à condição de entidade para que assim, através do resgate desta reverência dos grupos humanos do passado, possamos garantir às gerações futuras uma Lagoa de Araruama, literalmente, cheia de vida.
                  

                                                                                                 Professor Rogério Carvalho